25
Mai 09

 

Estive há pouco nos correios, na estação dos Restauradores.

 

Ali, como na Feira da Ladra, vende-se de tudo. Para além dos selos, porta-chaves, telemóveis, set's de escritório (um pack composto por um garfo, uma faca e uma colher para comer no posto de trabalho),  livros, etc.

 

Falemos de livros. Eis os títulos de alguns (de "gabarito"...): «Conselhos do Coração», «Receitas naturais para mulheres», «O nosso casamento», «Viaje em busca dos seus sonhos», «A vida com a minha irmã Madonna», «Ser feliz porque sim», «A arte de bem vender»...

 

Tive quase meia-hora para ser atendido, e ainda me quiseram vender um livro... Como se bem tornando hábito, disse: «Ainda vos hei-de ver a vender tremoços e imperiais...»

 

Saí dali ligeiramente agoniado. É certo que o meu almoço se consubstanciou numa sandes de queijo e meia-gaiola de tinto. Por isso, talvez (também), jurei vingança. Apeteceu-me jantar uma posta de bacalhau cozido com batatas.

 

Conclusão: apesar dos correios que hoje temos (ou por isso mesmo), não perco a minha identidade nem por mais uma!

 

Quanto ao bacalhau... Já cá canta!

 

 

publicado por flordocardo às 22:27

 

 

Vi na passada sexta-feira dois cartazes (outdoors, não é?...) em Lisboa. Um, da JS, reclama a páginas tantas: «Direito ao TGV!». Outro, do PSD, com foto do Dr. Rangel, propõe algo como «Combater a crise com os fundos europeus».
 
De um lado, o TGV transformou-se num direito... Se calhar semelhante ao de «salário igual para trabalho igual»... ou coisa assim...
 
Do outro lado, querem-se mais fundos para vencer a crise - quando eu pensava que os fundos (ou pelo menos o que se deu em troca deles) eram exactamente uma das causas da crise...
 
Estou siderado. Irra!
 
Foi a isto que chegou o comércio da compra dos votos? Irra, três vezes irra!!!
 
Entre outras coisas, foi por isto que no fim-de-semana andei pelo Algarve e o Alentejo. Deixem-me espairecer!
publicado por flordocardo às 17:34

19
Mai 09

 

O Sr. Zava, homem forte da PT, foi entrevistado há dias pela jornalista Judite de Sousa, da RTP. Não me foi possível, no imediato, tecer qualquer comentário ao facto; e lá me ia esquecendo de o fazer, quando a coisa repentinamente me voltou à memória.
 
Pois bem...
 
O Sr. Zava vai encher o país de fibra óptica; o Sr. Zava preocupa-se muito com os seus trabalhadores (”colaboradores”); o Sr. Zava está naquele posto para dar dinheiro a ganhar aos accionistas da PT (é claro!); e o Sr. Zava tem um ordenado de cerca de 100 mil euros (mês)...
 
Ora bem... O Sr. pelo menos não confirmou nem desmentiu (mais confirmou que desmentiu) os tais 100 mil euros, não considerando que o facto constituisse qualquer escândalo – antes uma consequência normal, digo eu, do seu bom “desempenho”.
 
E pronto. Escuso-me a qualquer tipo de comentário. Limito-me a registar aqui o facto, sobretudo para todos aqueles cidadãos que não tiveram oportunidade de assistir à entrevista em apreço.
publicado por flordocardo às 23:35

 

O INE divulgou há dias os números relativos ao desemprego no final do 1º. trimestre deste ano. Agora surgiu o "apagão" nos dados do IEFP, ou um "um erro" rapidamente detectado e "corrigido...

 

Mas o facto é que, neste momento, o país pode ter algo como 630 MIL DESEMPREGADOS, ou mais...

 

Segundo o INE, o nº. efectivo de desempregados cifra-se em 495.800 (no 1º. trimestre de 2005, por exemplo, cifrava-se em 412.600, segundo a mesma entidade).

 

Ora é sabido que o INE (através do seu sistema de inquéritos) não contabiliza, por exemplo, os "trabalhadores inactivos"... É por estas e por outras - que agora não vale a pena esmiuçar - que os dados do IEFP são sempre superiores aos do INE, uma vez que o IEFP procede às suas contas através dos dados fornecidos pelos seus 80 centros espalhados pelo país. Há, pelo menos, sempre mais 6 mil desempregados, no mínimo, na contabilidade final do IEFP do que nas estatísticas do INE (que são as oficiais)...

 

Então, se fizermos bem as contas aos dados fornecidos pelo INE, chegamos facilmente à conclusão que o nº. de desempregados efectivos é de 624.300 (ou, seja, incluindo os tais "inactivos" e ainda aqueles cidadãos que, desempregados, tiveram um biscate de um dia ou dois e saíram, por isso, da qualidade de "desempregados").

 

Se por acaso considerarmos mais fiáveis os nºs. do IEFP e, assim, juntarmos a estes 624.300 desempregados mais 6.000 cidadãos na mesma situação, constataremos que o desemprego real, em Portugal, pode já ter ultrapassado os 630 mil trabalhadores!

 

Mais: só 48,2% destes homens e mulheres estão a receber subsídio de desemprego!!!

 

Desta forma, já não me custa a acreditar em nada...

publicado por flordocardo às 23:08

17
Mai 09

 

«CONHEÇO O SAL...»

 

Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno
 
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava
 
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados
 
Conheço o sal que resta em minhas mãos
Como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
                                  
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
 
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados
 

 

Madrid, 16 de Março 73
 
JORGE DE SENA
 (1919-1978)
               
(extraído do livro «Poesia-III» - Moraes Editores, Lisboa, 1978)
publicado por flordocardo às 21:49
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15
Mai 09

 

 

Belmiro, ontem - Belmiro de Azevedo divulgou ontem uma possibilidade, até aqui "desconhecida", indescoberta, "original", para vencer a presente crise: diminuir os horários de trabalho e, consequentemente, os salários. Para quê? Para evitar os despedimentos.

 

Pondo já de parte que o homem não sabe quantas pequenas e médias lojas de comércio a SONAE liquidou com os seus mega-centros comerciais, por exemplo, o facto é que o sr. Belmiro tem meia-razão do seu lado. Ou seja: concordo que se reduzam os horários de trabalho; discordo completamente, por outro lado, com a consequente redução dos salários.

 

E, a este propósito, alguém acredita que, por exemplo, quando as coisas acalmarem, os preços dos bens irão baixar ou ser mantidos?! Nem ele!!!

 

O homem nem sequer está preocupado com o desemprego - ao contrário do engº. Sócrates, que «nem dorme» só de pensar nisso... O homem quer é, ao menos, manter as suas taxas de lucro, ó deuses!!!

 

 

Alegre, hoje - Quebrou-se o suspense (e o "encanto" dele). Manuel Alegre anunciou que não criará um novo partido nem será candidato nas listas do PS à Assembleia da República. Quanto a candidato presidencial, logo se verá...

 

Tanto alarido para isto? Mas seria que alguém estava à espera de outra decisão? Digam lá, com franqueza?...

 

Está tudo bem. Mais: tudo está bem quando acaba em bem!

 

A escrita é o campo de Alegre, não a política. Eis uma inesgotável verdade; indelével, irrefutável, imorredoira.

 

Proponho-me oferecer (ceder) a Alegre um título para um livro de poesia: «Qualidade do Ar». Estou a trabalhar sobre ele, mas não me importo de lhe ceder a ideia com afecto, pois admiro vários dos seus livros. Falo a sério.

publicado por flordocardo às 21:45

14
Mai 09

 

 

Prometi e aqui estou. A falar-vos do debate sobre as eleições europeias emitido no dia 11 pela RTP 1.
 
Não vi (por provável lapso meu) referências a este debate na imprensa. E desconheço que audiência teve. Comento-o, portanto, livre desse quadro de referências.
 
OBS. 1 - A iniciativa começou já depois das 22 horas e 40 minutos, terminando cerca da 1 hora e 20 minutos da manhã. O canal público, assim, achou por bem não prescindir do concurso que se segue ao (excelente) programa «Cuidado Com a Língua» e, deste modo, considerou igualmente por bem fazer muitos telespectadores (pelo menos os que no dia seguinte têm trabalho a cumprir) desligarem o seu televisor lá pela meia-noite e pouco. São critérios que dispensam mais comentários...
 
OBS. 2 - O debate iniciou-se com a preocupação das coisas e das propostas concretas. Considerando que o tempo era diminuto e elevado o número de intervenientes, havia que «aviar» o programa... Sendo tratada desta forma a coisa pública que a política é, foi por isso importante que uma ou duas vozes se tenham levantado contra tal e, assim, de alguma forma, conseguido dar a volta à orientação traçada pela moderadora do debate. É claro que essa contra-corrente partiu das forças políticas que não tem representação parlamentar - nem na AR, nem no PE. Deste modo, foi possível - ainda que de forma insuficiente - falar de que União Europeia temos e da nossa relação com ela, do que ela trouxe e tirou a Portugal.
 
OBS. 3 - O debate tornou evidente que os mais importantes partidos portugueses, em particular o PS e o PSD, se escusaram, através de um «silêncio ensurdecedor», a prestar contas dos fundos comunitários até hoje desembarcados no país; para que serviram e para que bolsos foram. E eu posso adiantar algo que será perceptível para muitos portugueses, em especial os que trabalham por conta de outrém, e que ficou por afirmar claramente: no essencial, tais fundos foram parar aos bolsos dos detentores do capital e dos seus quadros mais próximos. É a minha opinião e convicção.
 
OBS. 4 - Eventualmente mais comprometedor para o PS e o PSD do que o silêncio que atrás referi, foi o atabalhoamento total demonstrado pelo senhor Rangel, quer pelo senhor Moreira, quanto ao referendo que ficou na gaveta sobre o designado «Tratado de Lisboa». Nem podia ser de outra maneira, já que foram precisamente os respectivos partidos daqueles senhores que colocaram o referendo na gaveta (com o incentivo e o aplauso do actual Presidente da República). A este propósito, ficou pateticamente patente o conceito de “democracia” dos ditos...
 
OBS. 5 - Considero ainda que ninguém entendeu o que fizeram ou fazem ainda no PE os deputados europeus Ilda Figueiredo e Miguel Portas. E, ainda menos, o que irão fazer caso sejam reeleitos... Pareceu-me que se propõem lutar por «justiça na economia» (como chegou a referir Portas), sem explicarem que raio de economia sui generis será essa... É que se for para trazer «justiça» à economia capitalista que temos, francamente!...
 
OBS. 6 - As novas forças concorrentes às eleições europeias, MMS e MEP, não acrescentaram visivelmente nada de novo ao debate…
 
OBS. 7 - Por fim, suspeito que esta abertura da RTP para, neste período de pré-campanha, permitir o confronto político entre todas as candidaturas, se vai saldar em plena campanha eleitoral pelo silenciamento praticamente total de 8 candidaturas em favor das restantes 5. Espero estar enganado, caros amigos.
 
E fico por aqui, pois o tempo continua curto, curto... ...
publicado por flordocardo às 12:59

13
Mai 09

 

Estou limitado de tempo. Muito. E ainda não digeri por completo o debate a 13 do passado dia 11, na RTP 1, sobre o qual me tinha mais ou menos comprometido a escrever qualquer coisa. Talvez o faça amanhã.

 

Hoje (apesar de muitos temas se encontarem no ar e mesmo a acenarem-me para que deles fale), limitei-me a responder a alguns dos comentários feitos no blogue. Após o que vos deixo mais um poema. Um poema para lerem esta noite.

 

 ATRAVÉS DA MEMÓRIA

(
a Jorge de Sena)

                                              Apenas sei que o Verão em mim cantou
                                                         Um breve tempo, e já não canta mais.

                                                                           Edna St. Vincent Millay


Não é apenas o dom
extremo da delicada atenção,
a generosa paciência,
esse toque subtil que se desfere,
após o gosto cheio da palavra redonda,
na zona branca da perfeição.

A página
ali esperava.
Mas quanto antes
na azáfama alheia e neutra
de uma viagem de eléctrico,
numa paragem,
num cinema,
numas escadas toscas solitárias,
num gosto de café, nesse amargo especial
do cigarro, que é um convite, um sinal,
ela, a forma esplêndida,
com a miragem de um espelho,
com a auréola de uma árvore brilhante,
nua como uma espada,
brilhara,
na mente fatigada, mas logo límpida,
sinal brusco, e, no entanto, liso,
a forma preciosa.

Não.
Não fora apenas esse dom inato,
nem essa pureza rápida da inspiração,
nem esse acalento sossegado à noite,
esse cerrar de lábios,
esse branco vazio,
esse tumultuar de palavras prontas
a passar pelo crivo.

Não.
Mas já no tempo, nesse longo ciciar
de folhas durando na memória,
de dicionários rotos e tristes,
mas que é gostoso desfolhar na impaciência,
já nessa amorosa e repetida paciência,
com que se inclinara ao longo de crepúsculos
em que meninos atiravam pedras longe,
sim, sobretudo nos crepúsculos,
nessa limpa mágoa que nos vem de árvores ao frio
e dos seus braços magros,
já, já se adivinhara esse respirar de sílabas
fluindo em graça pura,
não plumas,
mas sílabas certas e claras,
sílabas onde o destino bate
com a grave leveza de quem dança
de noite, entre as estrelas.


essa saudade calma
alguma vez pousara
na fronte do poeta;
já esse Verão uma tarde
depusera
seu pó alegre e estático
como um pólen
nas suas mão suaves.

Mas nunca
ele cantara assim.

ANTÓNIO RAMOS ROSA

N. do A.: [Os versos da epígrafe] são extraídos de uma tradução do soneto «What lips my lips have kissed», da autoria de Jorge de Sena, inserta na página «Cultura e Arte» de O Comércio do Porto, de 12 de Agosto de 1958. O poema Através da Memória foi publicado na página «Artes e Letras» do Diário de Notícias, em homenagem a Jorge de Sena por essa tradução. A expressão «saudade calma», empregada neste poema, e também extraída da referida tradução.
 
(Poema extraído do livro «Viagem Através De Uma Nebulosa», 1960)

 

publicado por flordocardo às 20:12
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11
Mai 09

 

Parece que hoje, finalmente, todas as candidaturas às eleições europeias de 7 de Junho vão poder confrontar-se. É na RTP 1, pelas 22.40 horas.

 

Digo «finalmente», pois até aqui temos assistido a um "campeonato" falseado: uns tratados como equipas da 1ª. divisão, e outros como equipas da 2ª. divisão...

 

Depois ainda se regista o facto de os da 1ª. divisão, a par da comunicação social e dos seus opinion makers, se queixarem da abstenção!...

 

Vamos lá a ver como corre a coisa.

 

Amanhã volto para falar disto (esperando igualmente dar resposta aos recentes comentários aos meus últimos posts).

 

Continuem por aí! Livrem-se de me desiludir!

publicado por flordocardo às 17:32

08
Mai 09

 

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, foi hoje agraciado com o título de doutor "honoris causa" da Universidade Técnica de Chemnitz, (Alemanha).

"José Manuel Durão Barroso é o Mister Europa", disse o ministro-presidente da saxónia, Stanislaw Tillich, no elogio ao homenageado.

Tillich acrescentou que a biografia do ex-primeiro ministro português "reflecte a integração europeia das últimas décadas".

 

PALAVRAS SÁBIAS, ESTAS.

 

É QUE REFLECTE MESMO!!!

  

 

publicado por flordocardo às 21:54

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