28
Set 09

 

 

Os resultados das eleições legislativas/2009 estão apurados quanto ao essencial. O circo eleitoral começou a ser desmontado cautelosamente.
 
Mas a análise dos números respeitantes aos resultados eleitorais constitui uma missão terrível, surreal. Veja-se... O vencedor das eleições - o PS - foi o grande perdedor. Na verdade, o partido do engº. Sócrates perdeu mais de 505 mil votos e a maioria absoluta (elegeu menos 24 deputados).
 
Embora pecando por escasso, tal resultado foi positivo, tendo em vista os compromissos com o eleitorado que o PS assumiu nas legislativas de 2005, e o facto de tal partido não ter cumprido nenhum daqueles compromissos (tendo, aliás, feito exactamente o contrário do prometido).
 
O PSD só conseguiu captar uma pequena parte do descontentamento do eleitorado face ao governo PS. É a crise do «bloco central»?...
 
Quanto aos demais partidos e coligações, pode-se dizer que todos subiram, quer em percentagem, quer em número de votos expressos. Mas será de destacar o PCTP/MRPP, partido que, não tendo conseguido eleger deputados, superou todavia a barreira dos 50 mil votos a nível nacional, pelo que passará a dispor, de acordo com a legislação actual, de subvenção estatal para a sua actividade.
 
Os resultados do BE (claramente obtidos à custa do PS e de franjas da CDU e mesmo do PSD) não espantam. Até ficaram aquém do esperado por Louçã... Os do CDS-PP (conseguidos, certamente, à custa dos «social-democratas» e dos tradicionalmente abstencionistas), mostram que Portas está agora a bater à porta do PSD, perguntando: «Precisam para aí de um líder?»
 
Mas, desmontado o circo, o que é que se segue? A realidade do país mudou de ontem para hoje? Não, não mudou.
  
Temos por debelar uma enorme dívida externa; temos uma taxa de desemprego que vai continuar a subir de forma galopante; temos um sistema de Saúde e um sistema de Justiça que se encontram de rastos; temos uma Segurança Social que agoniza; temos uma das maiores cargas fiscais da Europa a 27 - bem como uma das mais aberrantes diferenças de nível de vida entre ricos e pobres.
  
A verdade é que a atitude das forças políticas nestas eleições pareceu ignorar esta realidade e que a mesma se insere numa crise global do capitalismo da qual não existe uma memória relativamente próxima no tempo.
 
A campanha eleitoral parece ter decorrido num quadro político virtual, fora da realidade nacional e internacional.
 
Ou dito de outra maneira: onde está a Esquerda? Ainda faz sentido falar de Esquerda e Direita depois desta campanha e destes resultados eleitorais?
Onde está o outro caminho? Onde está a alternativa ideológica, política e económica ao actual estado pantanoso das coisas?
 
Andam os politólogos preocupados com a possível «ingovernabilidade» do país; em saber que executivo vai resultar das eleições de domingo…
 
Deixemo-nos disso. Agora que o circo está a ser desmontado, o importante é ter respostas políticas para a crise, respostas dos explorados contra os exploradores que, por aquela - como sempre -, são responsáveis.
 
Quem der tais respostas será a ESQUERDA!
 
Isto não vai com panos quentes!

 

 

publicado por flordocardo às 15:55

27
Set 09

A minha melra deu-me a conhecer esta música.

GOSTO!

publicado por flordocardo às 16:13
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23
Set 09

 

Acabo de saber que a RDP anulou o único debate que até agora se encontrava previsto realizar com todas as candidaturas (15) que se apresentam às eleições legislativas do próximo domingo, dia 27 de Setembro.

 

O debate estava marcado há semanas para o último dia de campanha, dia 25 Setembro.

 

O "argumento" apresentado pela rádio pública foi o de que vários intervenientes se teriam recusado ou mostrado indisponíveis (o que vai dar ao mesmo) a participar na iniciativa.

 

Isto só pode significar uma coisa: o engº. Sócrates não quer problemas, tal como a Drª. Ferreira Leite também não quererá...

 

Sendo assim, é óbvio também que a RDP, o seu Conselho de Administração e a sua Direcção de Informação actuaram seguindo a voz do dono, ou seja, as determinações de quem lhes paga os vencimentos. Pois..., mesmo apesar da dita ser pública!

 

Quando tanto se tem vindo a falar de «asfixia democrática» é de concluir facilmente que há pelo menos dois partidos - PS e PSD, que tanto se degladiam a tal propósito.... - que a promovem de forma cabal e exemplar. Na realidade, tais forças são as principais responsáveis pela asfixia global em curso!

 

O debate de ideias? O debate entre iguais? Tais coisas não passam de velharias!

 

É por isso que eu espero que ninguém consciente vote nestes "democratas" no próximo domingo. Chiça!!!

 

publicado por flordocardo às 23:31

Tal como se encontra projectado - quer agora, quer no tempo do executivo PSD/CDS-PP, de Barroso - o projecto e traçado do TGV serve mais Espanha que Portugal? A resposta é sim!

 

Como bem disse há dias Hernâni Lopes - e já antes havia dito Garcia Pereira -, Portugal precisa de uma ligação rápida ao centro da Europa. Ora, de facto, esse acesso ao centro da Europa não passa de todo por uma ligação Lisboa-Madrid (e depois Madrid-Barcelona, e depois...).

 

Posto isto, vá-se lá saber a razão pela qual a nossa "moderna" e "patriótica" comunicação social desatou a desancar Manuela Ferreira Leite sobre as referências que fez ao assunto, designadamente quando frisou que Portugal não é uma província da Espanha... Ou dito de outra forma: a senhora foi atacada pela única coisa clara e acertada que disse nesta campanha!!!

 

Ou será que já acabaram as pretensões hegemónicas de Castela quanto a Portugal?...

 

E será que também já foram exterminados em Portugal os vendilhões provincianos dispostos a tudo vender por tuta e meia, ainda que disfarçados de democratas, europeus e etc. ?... 

publicado por flordocardo às 23:11

13
Set 09

Não sei, Jorge, se era este o teu destino; ou se era isto que almejavas sequer: regressar ao chão desta pátria «vil e canalha, e mesquinha...» («tirando o povo e uns raros»).

 

Não sei se querias passar teus ossos por uma basílica, discursos, polícias, carros negros. Duvido seriamente.

 

Por lá, pela Califórnia (e apesar dos tenebrosos fogos que a têm devorado), sempre ao menos podiamos sonhar-te - desesperado, mas..., em repouso; podiamos eventualmente empreender uma viagem para te lembrar, rever e falar contigo, Jorge; uma jornada sem aparato algum, mas que revelasse que daqui para lá a distância se encurtava graças a ti, ou seja, ao que de ti e de nós nos deixaste escrito. Podiamos sonhar... Podiamos continuar - vendo-te sem te ver - a imaginar-te duro e terno, indomável, desesperado, sincero, acutilante e corajoso. Agora é mais difícil, Jorge. Não sei bem explicar a razão, mas é.

 

Agora (tu não saberás) os canalhas multiplicaram-se por aqui em grande escala. E há poucos como tu para combatê-los. Mas combate-se!

 

Descansas há dois dias nos Prazeres. Estás feliz, Jorge?

 

Pela tua nova morada eu passarei um dia destes. Talvez me possas, então, dar a resposta.

 

 

 

publicado por flordocardo às 12:39

07
Set 09

 

 

ciclames

 

 

E AGORA…
 
 
… e agora o teu rosto cega-me
a beleza permanece difícil
o gosto dos teus lábios distante
 
Estas mãos vincadas aguardam teu olhar
luz para o caminho
frescura para o ardor
 
… e agora teus olhos despem-me
recozem minha carne pouco a pouco
dão-me terra e espaço limpo
 
Qual lobo uivando
o amor continua difícil
 
… e agora?...
  
 
Parede, 06.09.2009
 
publicado por flordocardo às 12:45

 

 

 

MELRO EM GAIOLA
 
 
I
 
Contrariamente aos outros pássaros,
o melro não canta: ri-se. O melro
é uma gargalhada semovente
voando entre as moitas,
deixando
farrapos de riso a esvoaçar nos ramos.
 
 
II
 
Pois bem. Alguém que odeia o riso
encerrou o melro na gaiola.
 
Alguém a quem o riso à solta
fazia espécie
quis ter aquele riso encarcerado,
só para si, à mão de semear.
 
Alguém capturou o melro e o meteu,
embrulhado no negrume da plumagem,
na gaiola, e pôs a gaiola na varanda.
Por maior escárnio, já se vê.
 
 
III
 
Nos primeiros tempos o melro não cantou
- quer dizer, o melro não se riu.
Quem quer perde o sentido de humor
cerrado numa gaiola.
 
Mas com o tempo, foi-lhe o silêncio pesando
à medida que ímpetos de riso borbulhavam
com crescente intensidade junto ao bico.
 
Até que o riso explodiu,
saltou fora como a rolha da garrafa
de champanhe - eis a gaiola cheia
de canto. Perdão, de riso.
 
 
IV
 
Nisto, os melros são como as outras aves,
soltam a voz para dizer: este lugar é meu,
quem quiser disputar-mo tem que se haver comigo.
Dizem-no geralmente a propósito de lugares amplos,
onde caibam voos inteiros e que valha
a pena defender de intrometidos.
 
Mas o melro na gaiola aprende depressa
a proporcionar o voo e a voz ao espaço que tem.
O impulso é maior do que o espaço disponível.
E canta - isto é, ri-se - como se fosse dono
duma fatia de mundo razoável.
 
Para o melro,
a gaiola é mesmo assim um espaço
que vale a pena defender
a gargalhadas.
 
 
V
 
Lição a reter: as expectativas
são um lugar
só aparentemente degradável.
Podem sempre encolher, mas nunca morrem.      
 
A.M. Pires Cabral
*
 
Este poema pertence ao livro de A.M. Pires Cabral (nasceu em Chacim, Macedo de Cavaleiros, em 1941) intitulado «Arado», dado à estampa em Março deste ano pela Cotovia.
 
Adquiri este livro há dias e ele ainda está quente nas minhas mãos. Trata-se de um belo livro de poesia.
publicado por flordocardo às 11:24
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04
Set 09

 

- O bom junto ao pequeno fica maior, e junto ao mau fica pior.
 
 - O morgado e a morgada e o resto da manada não prestam para nada.
 
Os meus dedos mindinhos dizem-me, inclinando-se abruptamente para mim, que estes dois provérbios têm a ver com a TVI...

 

publicado por flordocardo às 14:57

02
Set 09

 

Os canais televisivos que temos respiraram recentemente de alívio por terem conseguido promover e agendar "debates" onde só cinco forças políticas terão assento.

 

Convirá recordar que existem 15 (quinze) partidos e coligações concorrentes às eleições legislativas de 27 de Setembro de 2009. O que significa que 10 (dez) partidos ficaram excluídos dos pretensos "debates democráticos" que, hoje mesmo, começam a ter lugar...

 

Deduzo daqui que o referido alívio das televisões lusas (adocicado com o vincado silêncio da santa CNE e da virgem ERC) tem mais a ver com o facto de se terem livrado de vozes incómodas do que com outra coisa qualquer...

 

E onde andam os democratas deste país para calarem a voz sobre isto?!...

 

Deduzo que ainda estarão a banhos, algures por aí...

 

A vergonha não paga impostos. Mas devia!

 

  

publicado por flordocardo às 18:49

01
Set 09

 

 

Lao Tsé, filósofo da China antiga, dizia que  «O homem realmente culto não se envergonha de fazer perguntas também aos menos instruídos».
 
Tenho para mim que esta máxima é importante – sobremaneira nos tempos que correm, onde gente muito afirmativa revela total incapacidade para escutar os outros...
publicado por flordocardo às 22:36
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