30
Nov 09


 

 

Eu sabia que algo me estava a escapar...

 

Acabo de descobrir o que era. Lembrar o poeta António Gedeão. Se fosse vivo teria feito 103 anos no passado dia 24 de Novembro.

 

Assim, reparo a falha...

*  *

 

IMPRESSÃO DIGITAL

 

 

Os meus olhos são uns olhos, 
e é com esses olhos uns 
que eu vejo no mundo escolhos, 
onde outros, com outros olhos, 
não vêem escolhos nenhuns. 

Quem diz escolhos, diz flores! 
De tudo o mesmo se diz! 
Onde uns vêem luto e dores, 
uns outros descobrem cores 
do mais formoso matiz. 

Pelas ruas e estradas 
onde passa tanta gente, 
uns vêem pedras pisadas, 
mas outros gnomos e fadas 
num halo resplandecente!! 

Inútil seguir vizinhos, 
querer ser depois ou ser antes. 
Cada um é seus caminhos! 
Onde Sancho vê moinhos, 
D. Quixote vê gigantes. 

Vê moinhos? São moinhos! 
Vê gigantes? São gigantes!

António Gedeão (1906-1997), do livro Movimento Perpétuo - 1956
 

 

publicado por flordocardo às 18:20
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DOAR VIDA?

 

Uma ideia solidária em curso.

Depois direi mais.

 

publicado por flordocardo às 00:03

29
Nov 09

 

Os fins-de-semana, decididamente, não me andam a correr bem (como já devem ter percebido)...

 

Haverá culpados? Talvez, não sei... O que sei é que (a modos que para colmatar a coisa) ouvi durante a última tarde uma colectânea de canções do Chico Buarque. Deu para aliviar, mas não muito...

 

Neste instante escuto o Carlos Barreto em quinteto; o CD que tem por título «Impressões» e é datado de 1994. Um bom disco de jazz. Aliviei? Alguma coisa, mas não muito...

 

Ainda ao som de Carlos Barreto, eis que pego então em Pedro Tamen. Livro? «Memória Indescritível», de 2000.

 

Fixo-me num poema. Este...

*  *

 

AZIMUTO A MINHA BARCA

 

Azimuto a minha barca

e o porto é onde já estou.

Esta chuva que me encharca

é a que nunca pingou.

 

Olho pra trás desasado

das asas que nunca tive.

Não há mudança de estado

na descida do declive.

 

Pedro que sou, reduzo

o sapato em que me meto

a moído parafuso

e a desgosto secreto.

 

Desalimento a certeza,

aperto a chave ao sorriso,

lavo a loiça, ponho a mesa,

falo faceto, agonizo.

*  * 

 

Fiquei melhor? Um pouco. Mas mesmo assim antevejo um resto de domingo convulso.

 

E aí desse lado? Que me podeis dizer, ó gentes?...

 

publicado por flordocardo às 01:38

28
Nov 09

 

Lá vou escrevendo...  

agua.jpg

 

HEI-DE MATAR ESTA SEDE

 

 

Não há-de ser nada... Hei-de
matar esta sede
este amargo de boca
 
Neste território sem lei  
existe o verso e o reverso
e por um afago simples
encontrarei a água do teu rosto
 
De que traição me farei liberto?
Não digam nada…
Não há resposta
 
Não há-de ser nada… este amargo de boca
Nem que seja na morte 
hei-de matar esta sede

 

 

 

Cruz Quebrada, 28.11.09

 

publicado por flordocardo às 19:03

 

 

O artista plástico norte-americano Alexander Calder (1898, Lawton, Pensilvânia – 1976, New York), tem uma mostra de 19 obras em Oeiras, entre as quais um conjunto de 14 tapeçarias.
Os desenhos que compõem estas peças são representativos da iconografia fascinante e inventiva de Calder.
Uma exposição a não perder, patente no Centro Cultural Palácio do Egipto, em plena Vila de Oeiras, de 6 de Outubro a 6 de Janeiro (11.30 – 18 horas).

 

publicado por flordocardo às 00:57
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Volto a ler Sena nesta noite fria...

* * *

 

 
 
 
ARTE DE AMAR
 
Quem diz de amor fazer que os actos não são belos
que sabe ou sonha de beleza? Quem
sente que suja ou é sujado por fazê-los
que goza de si mesmo e com alguém?

Só não é belo o que se não deseja
ou que ao nosso desejo mal responde.
E suja ou é sujado que não seja
feito do ardor que  se não nega ou esconde.

Que gestos há mais belos que os do sexo?
Que corpo belo é menos belo em movimento?
E que mover-se um corpo no de um outro o amplexo
não é dos corpos o mais puro intento?
 
Olhos se fechem não para não ver
mas para o corpo ver o que eles não,
e no silêncio se ouça o só ranger
da carne que é da carne a só razão.
 
            Janeiro 71

Jorge de Sena (in Exorcismos – 1972)
 
 

 

publicado por flordocardo às 00:37
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27
Nov 09

Após o último post ainda ouvi durante alguns minutos Tom Waits (Mule Variations - 1999

 

Photo   Talvez me prepare para o seu último CD, um duplo ao vivo, na perspectiva de um fim-de-semana chuvoso. Chama-se Glitter and Doom.

 

É possível o download de alguns dos seus temas a partir do próprio site do artista.

 


 Bom fim-de-semana!

 

publicado por flordocardo às 16:34
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Pesquisando, fui dar com o artigo de opinião que a seguir aqui transcrevo, assinado pelo Prof. João Ferreira do Amaral para o «Diário Económico», e cujo conteúdo tem ligação directa com o post em que falei do Dr. Mário Soares.

 

É de novo a Europa em questão. Mas atentem nas interessantes diferenças de perspectiva entre um e outro dos protagonistas... Eu não disse que talvez voltavasse ao assunto?...

 

E, por agora, fiquemos por aqui.

 

*

 

 

O declínio da Europa
 

 

(Diário Económico - 28/10/09 - 00:02)
 

 

Com a nossa atenção focalizada nas questões de curto prazo que, aliás o justificam, esquecemo-nos de que olhar para um prazo mais alargado é também necessário e instrutivo.
Se o fizermos, relativamente ao que tem sido a evolução económica da Europa das últimas décadas, uma constatação importante - ainda que negativa - surge com toda a clareza: é a do declínio económico da Europa.
Com efeito, o crescimento da primeira década deste século vai ser inferior ao da década de noventa, este ao da década de oitenta e assim sucessivamente até aos anos sessenta. Pior do que isso: ao apresentar nesta primeira década do século um crescimento anual médio de cerca de 1% a Europa do euro entrou num caminho que a longo prazo, não permitirá sustentar de forma minimamente equilibrada o rápido envelhecimento da população.
A evolução é tanto mais grave quanto nesta última década a Europa contou com dois alargamentos, tradicionalmente um ‘doping' com efeitos de curto prazo estimulantes para a economia europeia. Por outro lado, das cinco maiores economias europeias quatro apresentam défices significativos das respectivas balanças de pagamentos (a excepção - até quando? - é a Alemanha).
Do meu ponto de vista, duas causas fundamentais explicam este resultado. Por um lado, a liberalização demasiado rápida do comércio mundial, conjugada com instituições europeias deficientes ao nível da gestão macroeconómica. Por outro lado - e talvez mais importante - o reforço do centralismo europeu, que ao impor, nos mais diversos domínios, directivas idênticas para sociedades muito diferentes tem bloqueado as iniciativas nacionais, E, é bom recordar, sem os estados que a compõem não há Europa. Sempre me espantou a satisfação bacoca dos europeístas convictos ao falarem, com aprovação, da grande percentagem de leis nacionais que é originada em directivas europeias. Se tivessem um poucochinho de distanciamento crítico veriam que esse esmagador centralismo, que afasta cada vez mais as opiniões públicas das instituições europeias, será provavelmente o coveiro da Europa.
Olhando para experiências históricas comparáveis o destino desta Europa parece traçado. Para quem, como eu, gostava da Comunidade Económica Europeia mas não gosta da União Europeia, ou seja da Europa pós-Maastricht, poderia dizer-se que é motivo de satisfação. Não é. Não está no meu feitio o "quanto pior melhor" e sei perfeitamente que quando a hora chegar o bebé poderá ir com a água do banho. Mas também não é solução a resignação. Para nós portugueses, talvez fosse bom pensar se não deveríamos olhar para outras alternativas e reequacionar a estratégia que, desde Maastricht vimos seguindo, de diluição na Europa.
Sem nenhuma honra e - sabe-se agora - com muito pouco proveito.
____
João Ferreira do Amaral, Professor universitário
 
 
 
 

 
 
 
publicado por flordocardo às 00:13

25
Nov 09

 

Como se sabe, em consonância com o "Tratado de Lisboa" acabam de ser nomeados para Presidente e Alto Responsável para a política externa da UE respectivamente o Sr. Herman Van Rompuy e Lady Ashton.

 

Ora, em artigo ontem publicado no «Diário de Notícias», o Dr. Mário Soares pronuncia-se sobre tais designações e o futuro da UE em termos que merecem reparo.

 

Diz o Dr. Soares, a dado passo, que aquilo «que se passa na actual fase que atravessa a União Europeia é, infelizmente decepcionante». Para logo acrescentar que «o ´directório dos grandes', sejam três, quatro ou cinco, é quem manda».

 

E sobre as referidas nomeações acrescenta que «tudo foi combinado em segredo,entre a Alemanha, a França e talvez o Reino Unido».

 

Ora bem... Temos que o Dr. Soares só se dispõe, desde logo, a criticar a "actual fase" da UE. Deduz-se, assim, que no tempo dele é que a UE era boa. Discordo.

 

Depois, temos o "Directório... Parece que o Dr. Soares descobriu agora que existe um Directório na UE, quando na realidade ele sempre existiu e sempre mandou nessa mesma UE. Ora isto é que é sério de afirmar, e não o que afirma o Dr. Soares.

 

Por último, denunciam-se combinações entre os 3 grandes da UE. Pois será que alguma vez as coisas se processaram de outra maneira?

 

Ou Dr. Soares... Ou V. Exa. é ingénuo até à 5ª. casa, ou pretende comer-nos por tolos!...

 

Talvez volte ao assunto. Mas por agora...

 

publicado por flordocardo às 19:32

24
Nov 09

 

 

 

 

búzio

 

 

sei que nunca viste o oceano,

que nunca olhaste a onda sobre a onda,

que nunca fizeste castelos para o mar ser forte.

 

mas sei que já viste o coração das coisas,

que já tocaste a ferida nos nossos braços,

que já escreveste para sempre o nome da terra.

 

por isso te digo que vou levar-te o mar

na concha das minhas mãos, azulíssimo,

para que nele descubras o meu nome

entre os seixos os búzios os rostos que já tive

 

             Vasco Gato (n. 1978)

                                                                    (do livro «Um Mover de Mão» - Assírio & Alvim, 2000)

 

 

publicado por flordocardo às 12:27
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