31
Ago 12

 

 

*   *   *

 

«Sem entusiasmo nunca se realizou nada de grandioso.»


Ralph Emerson

publicado por flordocardo às 15:59
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30
Ago 12
publicado por flordocardo às 13:38
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29
Ago 12

 

 

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Foto: by Robert Doisneau
 
                                                                  Foto de Robert Doisneau
 
publicado por flordocardo às 18:15
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28
Ago 12

 

*   *   *

 

NÃO TE DERRAMES

 

Não chores

Não te derrames

Haverá derramas

e depois amas

e depois mamas

- à custa de brutos geniais

que deram votos p’ra criar quintais

onde chafurdarás

como javali

na cama que fizeram para ti

 

Não desesperes mais

vai haver chuva na eira

sol nos nabais

coisas à colecta

e gente selecta

sentada (ao teu colo) nas galerias

enquanto os filhos

estudam esquadrimetrias

 

Cala teus ais

experimenta uns sais

Abrunha

É preciso ter calma

não dar o corpo pela alma

Nada de caramunha

O futuro é já ali

(enquanto alguém lá fora ri?)

 

Não te arrepenhes

Repito

não te derrames

Terás derramas

e depois amas

e depois mamas

e depois… emprenhas

 

 

C.Q. – 17/10/98

 

(Nota final - Por o considerar muito actual, passarei a designá-lo, em sub-título, por

«poema da troika»)

publicado por flordocardo às 23:44

 

publicado por flordocardo às 23:43
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27
Ago 12

 

 

*   *   *

 

O MOMENTO DE

 

 

Talvez seja o momento de.

Mesmo sem esperança. E ele escreve:

nenhum impulso para ti

neste espaço deserto.

 

Ele perscruta entre as pedras e as sombras.

Nada vê. Ignora. 0lha.

Que traços são estes,

qual a origem destas palavras nulas?

 

Ele escreve. O seu desejo é o desejo

de tornar habitável o deserto.

 

                               António Ramos Rosa (n. 1924)

 

(do livro «António Ramos Rosa - Antologia Poética» - Prefácio, bibliografia e selecção de Ana Paula Coutinho Mendes - Publicações Dom Quixote, Lisboa/2001)

 

publicado por flordocardo às 16:41
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25
Ago 12

publicado por flordocardo às 17:52
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*   *   *

 

O LUGAR INDICADO

 

Qual o melhor lugar

para escrever um poema?

Na Capela Sistina?

Na Muralha da China?

À beira da piscina?

Escutando a turbina

do jato na neblina?

Vendo numa vagina

um campo de boninas?

Ou, como um rei, sentado

na plácida latrina?

 

                               Lêdo Ivo (n. Brasil, 1924)

 

(do livro «Antologia Poética» - apresentação e selecção de Albano Martins, Edições Afrontamento/2012)

 

publicado por flordocardo às 12:57
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23
Ago 12

 

publicado por flordocardo às 00:30
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22
Ago 12

 

 

*  *  *

 

MEDITANDO NA ESPLANADA NOVA

I

Salitre
Eis uma palavra que não te sai da cabeça
É preciso aprofundá-la

II

É bom ter o sol pelas costas
É bom olhar os vasos improvisados
de flores coloridas
É bom inspeccionar as veias salientes
atentar nas possíveis varizes

III

É bom que fumes calmamente o teu cigarro
bebas o teu café
É bom que penses no tempo que te resta

IV

É bom escrever directamente no computador
como é bom fazê-lo no bloco de linhas
ou num qualquer singelo papel branco

V

Está bom o tempo… O tempo…
O salitre do tempo que te resta

(Parede, 23.07-03.08.2012)
 
publicado por flordocardo às 13:00

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