29
Nov 12

 

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A última vez (foi ontem) que eu vi Coelho...

      Ou seria Gaspar?... Ou seria Cavaco?...

 

Terá sido um sonho?...

publicado por flordocardo às 16:34

 

 

*   *

 

DEFEITO DE FABRICO

Quando nasci, trazia de origem
um farol que despejava luz a jorros
sobre o que quer que fosse,
mormente sobre as dobras
pérfidas da noite.

Mas, por estranho que pareça,
também os faróis estão sujeitos
às leis da erosão,

e o meu farol diluiu-se. Hoje não é
mais do que um triste farolim de bicicleta
que apenas me alumia dois palmos de noite.

Amanhã estará reduzido
a uma simples lanterna de bolso
com que mal poderei reconhecer
o lugar onde estou.

Até que um dia será, está bom de ver,
o mais fiável cúmplice da noite -

- da noite que devia dissipar,
e não fundir-se nela.

Defeito de fabrico.
Mas a garantia caducou e o fabricante
nega-se a ressarcir-me do escuro.

                                  A. M. Pires Cabral (n. 1941)

(do livro «Cobra-d'Água» - Cotovia, 2011)
 
publicado por flordocardo às 00:14
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28
Nov 12

 

 

publicado por flordocardo às 15:54
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Atividades e espetáculos para todos os Gostos e feitios participem!!
publicado por flordocardo às 15:17
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UMA TOUPEIRA NA CALÇADA

 

 

Vi uma toupeira na calçada.

 

As toupeiras não se dão bem em calçadas
- elas que têm no solo arável o seu habitat -
mas aquelas estava ali inexplicavelmente.

 

Uma aventura que acabou mal,
pensei para comigo.

 

A toupeira extraviada na calçada
esbracejava (se assim se pode dizer)
como um náufrago que não tem bóia nem tábua.

 

Tentava refugiar-se na terra
a que pertencia. Mas, desfavorável,
a pedra não se deixava fender das suas unhas,
tal como a água se não deixa nadar
do desespero do náufrago
que não tem tábua nem bóia.

 

Estava-se mesmo a ver como a coisa ia acabar.

 

Enquanto tivesse forças, a toupeira,
embora perplexa daquele lugar hostil,
continuaria sempre a esbracejar,
arranhando em vão a pedra da calçada.
Depois, algum gato havia de passar por ali
(há sempre um gato que passa ‘por ali’)
e daria o remate apropriado
a esta história sem história.
No fim de contas, uma toupeira é um rato,
não é verdade? (Pergunta o gato.)

 

Meditando na sorte da toupeira,
enquanto o gato ainda anda por longe,
ocorreu-me então que a calçada
podia muito bem ser um espelho
e a toupeira naufragada
a nossa imagem reflectida nele.

 

Toupeira em calçada todos nós.

 

 

                                    A. M. Pires Cabral (n. 1941)

 

(do livro «Cobra-d'Água» - Cotovia, 2011)

 

publicado por flordocardo às 15:14
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27
Nov 12

 

 

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«A pessoa analfabeta é como um bocado de madeira não gravado.»

 

publicado por flordocardo às 01:07

 

publicado por flordocardo às 01:06
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26
Nov 12

 

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Permitam-me uma pergunta ingénua: para que é que esta gentalha anda à procura, à cata (e preocupadíssima!), de mais fundos comunitários?

Será mesmo para a agricultura, o mar e a indústria?...

publicado por flordocardo às 01:17
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23
Nov 12

 

 

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(Vejo daqui o mar, a sua transparência. Todos os dias)

Vejo daqui o mar, a sua transparência. Todos os dias
é assim. Posso conservar os olhos fechados. Caminho
devagar por estas praias e sei há muito como existem
dentro de mim. Atravesso as dunas e depois procuro
o significado delas. O nevoeiro está perto e humedece
o meu rosto. Chega o rumor agora submisso de outras
ondas. Espero um pouco mais...
Aquele que vem
ao meu encontro sabe o sentido da última palavra.

                Fernando Guimarães (n. 1928)

(do livro «Lições de trevas» - Quasi edições, 2002)
 
publicado por flordocardo às 17:57
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22
Nov 12

 

publicado por flordocardo às 00:54
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