30
Set 13

 

 

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«Se queres convencer os outros, deves parecer pronto a ser convencido.»

 

Philip Chesterfield

publicado por flordocardo às 18:00
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28
Set 13

 

*   *   *

 

Uma noite muito bem passada foi a de ontem, numa sessão de poesia ao vivo - entre gente jovem, com ideias e fibra, entremeada com muita poesia de qualidade. Seguiram-se umas belas horas de merecido descanso

Hoje foi dia de almoçarada entre camaradas e amigos, para descomprimir.

E amanhã... Amanhã é dia de votar contra a corrente da mentira, do embuste, do nepotismo e do roubo!!!

publicado por flordocardo às 22:29

26
Set 13

 

*   *

Limito-me a transcrever, sem mais comentários (desnecessários).

 

 

O discurso ignóbil de um provocador encartado

 

(Publicado em 25.09.2013 - www.lutapopularonline.org)

 

Falando numa acção de campanha eleitoral em Santarém, o primeiro-ministro Passos Coelho atribuiu o facto de as taxas de juro dos últimos empréstimos contraídos pelo Estado estarem a subir continuamente, aproximando-se já dos 8%, àquilo que designou de “preconceito dos mercados” relativamente a Portugal e aos portugueses. “Aqueles que durante muitos anos se comportaram mal, acabam por ser alvo da suspeita dos próprios mercados”, rematou.

 

Assim, depois de nos últimos dois anos ter operado nos salários dos trabalhadores um corte médio superior a 15%, de se preparar para completar um corte de valor idêntico nas pensões de reforma, de aumentar o IRS em mais de 30% e de reduzir brutalmente as despesas públicas com a saúde, a educação e a segurança social, o governo de traição nacional PSD/CDS, pela boca do seu chefe, vem agora dizer que aqueles que foram cruelmente espoliados e submetidos a uma vil existência de fome e desemprego devem continuar a sê-lo ainda com mais intensidade, que os sacrifícios que lhes foram impostos são ainda insuficientes e que é por isso que os “mercados” estão a cobrar taxas de juro exorbitantes nos empréstimos que realizam ao Estado português.

 

No espaço de um mês, o Coelho veio dizer duas coisas aparentemente contraditórias. Primeiro, num discurso proferido em meados de Agosto, afirmou que os “mercados” recompensaram o país pelos sacrifícios suportados pela população, pondo a economia a crescer. Depois, no mencionado discurso em Santarém, vem dizer que os “mercados” afinal não acreditam no país e que é necessário manter e incrementar as medidas terroristas de austeridade sobre o povo. De facto, não existe nenhuma contradição entre as duas declarações referidas. Dentro da lógica em que se move o Coelho, o seu governo e a sua classe, a condição necessária para o crescimento da economia é o agravamento incessante da exploração e da miséria dos trabalhadores.

 

Passos Coelho tem a fibra de um fascista, daqueles que, com um sorriso nos lábios, dizem às suas vítimas que o sofrimento e a desgraça a que estão sujeitos são o que elas merecem e são o que as espera para o resto dos seus dias. Os “mercados” de que este provocador fala são um eufemismo para designar os bancos e os grandes grupos financeiros para onde são canalizados os rendimentos e os recursos roubados aos trabalhadores e ao povo. Os “preconceitos dos mercados” que este sacripanta invoca são a voracidade insaciável do grande capital e do imperialismo germânico e é o desprezo absoluto pela vida dos que tudo produzem e a quem tudo é negado, desde as necessidades mais básicas até aos direitos mais elementares.

 

Não há que ter contemplações com Passos Coelho e o seu governo. É imperioso derrubá-los, sem esperar pelo período normal de eleições, em 2015. Os trabalhadores e as suas organizações, em unidade com todos os sectores democráticos e patrióticos da população, devem urgentemente desencadear todas as formas de luta que sejam necessárias para cumprir esse objectivo. Só assim se criarão as condições indispensáveis à construção de uma alternativa, um governo democrático patriótico dotado de um programa de desenvolvimento da economia, de independência nacional, de promoção dos direitos dos trabalhadores e de progresso e bem-estar para o povo.

 

publicado por flordocardo às 03:39

23
Set 13

 

 

*   *   *

 

Faltam-me as palavras.

Morreu António Ramos Rosa, o poeta de «estou vivo e escrevo sol».

Vai-se um pouco de mim - ou, mais precisamente, da minha intimidade com a poesia.

Mas a poesia de ARR está viva; escreve sol e não vai morrer.

 

publicado por flordocardo às 19:29

21
Set 13

 

*   *

 

Consta que o Verão acaba hoje. Mas não parece nada. Nada!

Como é que vou adormecer, eu que tanto preciso de

carregar as baterias?

Este Verão recusa acamar-se, tal como a dívida

e os juros da dívida, não é?



publicado por flordocardo às 01:30

20
Set 13

 

*   *   *

 

Najwân Darwîsh é um poeta palestiniano, nascido em 1978. Publicou o seu primeiro livro em 2000, « Je me lèverai un jour» (tradução francesa, de 2012, por Antoine Jockey). A tradução abaixo é de André Simões, do seu blogue de traduções do árabe Pausa sobre as ruínas que recentemente descobri.

 

*

 

O AUTOCARRO DOS PESADELOS

 

vi-os deitar as minhas tias em sacos de plástico negro

e nos cantos dos sacos acumulava-se o sangue morno delas

(mas eu não tenho tias)

soube que tinham matado Natacha – a minha filha de três anos

(mas eu não tenho filha)

disseram-me que eles tinham violado a minha mulher antes de lhe arrojarem o corpo

pelas escadas e de o deixarem na rua

(mas eu não sou casado)

foram de certeza os meus óculos que foram esmagados debaixo das botas deles

(mas eu não uso óculos!)

...

dormia eu em casa dos meus pais e sonhava em viajar até à casa dela, e quando

acordei:

vi os meus irmãos

pendurados no telhado da igreja da Ressurreição.

dizia o Senhor por piedade: esta é a minha dor.

e eu recolhia o orgulho dos enforcados e dizia: não, esta é a nossa dor!

...

a dor ilumina e torna-se-me mais querida que os meus pesadelos

...

não fugirei para norte

Senhor

não me contes entre os que procuram refúgio

– fecharemos estas contas mais tarde –

agora tenho de ir dormir:

não quero chegar atrasado ao autocarro dos pesadelos

o que vai para Sabra e Chatila...


publicado por flordocardo às 11:13
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19
Set 13

 

 

*   *   *

 

(ficou da infância a febre)


ficou da infância a febre
de correr parado
pelas estradas

podes chamar-lhe versos
são viagens

ficou da infância a fisga
de arremessar ao vento

podes chamar-lhe versos
são pedradas


                                 Jaime Salazar Sampaio (1925-2010)

(extraído da «Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa» (org. Maria Alberta Menéres e E.M. de Melo e Castro) - 2ª edição revista, actualizada e com uma nova introdução - Moraes Editora, 1961)

publicado por flordocardo às 03:34
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18
Set 13

 

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© Martine Franck, 1976
publicado por flordocardo às 02:55
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17
Set 13

 

 

*   *   *

 

PALAVRAS QUE REBENTAM

 

Palavras 
que rebentam. Aflorando 
A pedra, a solidão, deslizam, vagas, 
Gramaticais, roendo inconformadas 
As arestas, o atrito, puras. Quando 

Nos líquidos, no éter, na distância, 
Diluem-se e morrem acabadas. 
Não nos corpos, nas rugas, nas arcadas: 
Combatem, rumorosas, cal e cântico. 

É difícil atarem corpo e vida 
Aos que vivem e morrem subjacentes 
Subjazendo, talhados para mina. 

Mas despertadas, bem ou mal medidas, 
Rebentam em ogiva, funcionais 
Chamas supostamente adormecidas.

 

                                    Nuno Guimarães (n. Moçambique, 1960-2013)


publicado por flordocardo às 01:32
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15
Set 13

 

 

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«Odeio os livros; ensinam apenas a falar daquilo que não se sabe.»

 

 Jean Jacques Rousseau

publicado por flordocardo às 04:33
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