31
Jan 14

 

*   *   * 

 

(Não sei quantos de nós estaremos vivos)



Não sei quantos de nós estaremos vivos
No dia em que estes campos
Voltarem a estar verdes;

Mais do que de esperança,
Trata-se da sobrevivência
Da nossa vontade. Do nosso
Sentido de oportunidade

Falaremos depois,
Quando os frutos das árvores
Puderem cair

Sem que os cuidados
Exigidos pela necessidade
Ou pelo excesso de avidez
Lhes extingam o brilho.

                               

 

                              Rui Almeida (n. 1972)

 

(do livro «Leis da separação» - Medula, 2013)

 

publicado por flordocardo às 01:08
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30
Jan 14

 

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Desta vez foi mesmo: biopsia feita na segunda-feira e alta dada no dia seguinte.

Nova consulta? Só no próximo dia 10 de Fevereiro.

 

Logo veremos o que isto vai dar.

 

Quanto a vocês... Continuem por aí! 

 

publicado por flordocardo às 13:33
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24
Jan 14

 

 

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REVOLUÇÕES PELA INTERNET, OU DURA LUTA E PROLONGADA?

 

(in Luta Popular on-line - Publicado em 15.01.2014)

 

E de repente, eis que o executivo de Coelho e Portas, tutelado por Cavaco, para além de anunciar um autêntico milagre económico, se vê bafejado por um outro milagre, aquele que se traduz no abandono da exigência por parte da chamada esquerda parlamentar do derrube deste governo de serventuários ao serviço dos interesses de um directório europeu capturado pelo imperialismo germânico e seus propósitos de, sem necessidade de disparar um único tiro – ao contrário do que aconteceu com Hitler –, dominar e subjugar a Europa.

A inconsequência, a incoerência, a fraquíssima consistência intelectual de largos sectores da pequena-burguesia, particularmente uma certa “inteligentsia” ou auto-intitulada intelectualidade, constantemente em pânico com a ameaça que sobre ela paira de ser proletarizada, em virtude das cíclicas crises do capitalismo, revela-se na procura permanente de salvadores por tudo o que é sítio.

Assim aconteceu quando o marketing político explorou os dotes de uma esquerda americana encabeçada por Obama e teorizada, no capítulo da economia política, por Paul Krugman. Na Europa, face à entente Merkel/Sarkozy – com este a prestar-se a ser o saltapocinhas de serviço da nova führer – o surgimento de François Hollande animou mesmo as hostes mais à esquerda que chegaram a anunciar que era chegado o momento de a chancelarina ser colocada no seu devido lugar.

A montanha, está bem de ver, pariu um rato. Obama não deixou de ser o executor de todas as mais fatídicas e sanguinolentas políticas do imperialismo americano, Paul Krugman advoga que para sair da crise os países sob tutela, seja do FMI a sós, seja da tróica germano-imperialista, só têm como saída a desvalorização dos salários em mais de 30% e Hollande, para além de se estar a revelar um autêntico rabo de saias, é o novo salta-pocinhas da führer Merkel…nada de novo a ocidente, portanto!

São os mesmos que, basbaques, anunciam revoluções pela net e consideram o Google como a nova plataforma para as revoluções mundiais, sejam elas violeta, de veludo ou mesmo de…cortiça! São os mesmos que se prestam a passear as suas frustrações e fantasmas por toda a sorte de falanges fascistas e a buscar refúgio em regimes que reponham a ordem.

Como não acreditam que a luta de classes é o motor da história, nem sequer acreditam que eles próprios pertencem a uma classe ou sector de classe, não percebem que a burguesia não brinca em serviço e que se está absolutamente nas tintas para os seus constantes lamentos, agitar de mãos ao alto e apelos ao pacifismo, ou se deixar sensibilizar pela sua indignação contra os cortes nos salários, a facilitação e embaratecimento dos despedimentos, a promoção da precariedade, da fome e da miséria, a destruição do tecido produtivo e a venda a retalho de tudo o que é activo e empresa pública estratégica.

A burguesia, quando sente ameaçada a sua sacrossanta propriedade, os seus lucros e interesses, não hesita em mandar para cima do povo e dos trabalhadores toda a sua máquina repressiva. Pode promover cortes e austeridade em tudo e mais alguma coisa. Mas, no que toca a olear a máquina da repressão abre generosamente os cordões à bolsa, sabendo que nenhum apelo infantil do tipo os polícias e os soldados são filhos do povo , fará as forças repressivas virar as armas contra os seus interesses e o estado que os acarinha e sustenta.

Para estes eternos românticos da revolução, organização, disciplina, estratégia e táctica, objectivos, direcção organizada, são autênticos pesadelos. E nem sequer se pasmam quando verificam que esta sua permanente hesitação, esta sua recorrente fuga para a frente, esta sua endémica incoerência redunda, fatalmente, na deserção cobarde, sempre alegando que este povo não merece o seu esforço! Bem que gritam O Povo unido jamais será vencido quando o que está em causa é que O Povo Vencerá! Se se mobilizar e organizar em torno de princípios justos e coerentes, se se preparar para uma luta dura e prolongada, se ousar lutar, para ousar vencer!

Face à ocupação de que Portugal está a ser alvo por parte de uma tróica que mais não constitui do que um instrumento ao serviço dos apetites imperiais e colonizadores de uma potência como a Alemanha, face ao presente alinhamento de classes e interesses de classe, à correlação de forças entre si e quanto ao que as une e ao que as divide, a única saída para os trabalhadores e o povo português é, pois, o derrube deste governo de serventuários, de traição nacional, e a constituição de um governo democrático patriótico que saiba pôr em marcha um programa que congregue e reflicta os interesses daquelas classes e sectores de classe que, neste momento, têm em comum a exigência da suspensão do pagamento de uma dívida que não contraíram e da qual nada beneficiaram, a recuperação do tecido produtivo destruído, único garante da recuperação da nossa independência e unidade nacional, único garante de que o país estancará a sangria do desemprego, da precariedade, da fome e da miséria, único garante de que Portugal e o povo português conquistarão a sua liberdade e alcançarão a verdadeira democracia.

 

publicado por flordocardo às 20:28
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23
Jan 14

 

 

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«Nada é tão fatigante como a indecisão e nada é tão fútil.»

 

Bertrand Russell

publicado por flordocardo às 14:48
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22
Jan 14

 

 

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Acaba de ser dado à estampa.

Eis uma edição mais do que oportuna, já que reúne a poesia de Sena por aí dispersa e, em vários casos, já esgotada.

 

«A poesia de Jorge de Sena aparece, nesta colecção das suas Obras Completas, editada em dois volumes. O primeiro reúne os livros que o poeta publicou em vida, entre 1942 (Perseguição) e 1977 (Sobre esta praia…), e que foram por ele coligidos em Poesia-I(1961; 2.ª ed., 1977), Poesia-II(1978) e Poesia-III(1978). O segundo reunirá a poesia esparsa ou inédita à data da sua morte, e posteriormente editada por Mécia de Sena entre 1979 (40 Anos de Servidão) e 1999 (Dedicácias).»
 
Jorge Fazenda Lourenço
 
Ficha técnica
 
  • Colecção:
  • Data de Publicação: 01-2014
  • Encadernação: Capa dura - 880 páginas
  • Idioma: Português
  • ISBN: 9789726656876
  • Dimensões do livro: 135 x 215 mm

 

publicado por flordocardo às 20:12
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17
Jan 14

 

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(Eis como as oliveiras se desnudam)

 

Eis como as oliveiras se desnudam

os dias tremem

 

O frio enclausura o tempo

rompe cronologias

intemporiza ideias falas

e palavras

 

Um outro dialecto torna-se acessível

depois de tantos dias de silêncio

e de vazio branco

 

O corpo retesa-se

fotografa

 

 

(Parede, 14-16.01.2014)

 

publicado por flordocardo às 00:58

16
Jan 14

 

 

*   *

 

CANÇÃO

 

Primeiro, a viagem esburacando-se

Por ruas mais e mais estreitas

Num autocarro fumegante

Até essa casa de subúrbio;

Depois, à chegada, tu,

Luminosa, sorrindo à porta,

Envolta num veludo de perfume,

Cascata de caracóis castanhos -

Tudo o que sobrevive do teu nome.

Na sala, à nossa volta, absorvendo tudo,

O âmbar de uma canção,

Precisamente esta que adolesce a noite

Tantos anos depois,

 

A canção que ainda és e és apenas.

 

 

                           Nuno Rocha Morais (1979-2008)

 

(do livro «Últimos Poemas» - Quasi Edições, Maio/2009)

 

publicado por flordocardo às 16:40
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Afinal foi falso alarme... Expliquemo-nos.

 

Chegado ao Curry Cabral na terça-feira, pelas 11 horas e conforme o determinado, mandaram-me aguardar na sala de espera. E lá fui eu, mais a minha trouxa de roupa e apetrechos pessoais. Mas não existiam sequer cadeiras...

Até que chegou a hora de almoçar. Lá almoçei pelas 12.30 horas e voltei a esperar.

Depois, lá pelas duas e tal da tarde, aparece-me um médico a pedir imensa desculpa, mas que não era possível o meu internamento, pois não existiam camas vagas...

 

Ao que isto chegou, meus caros amigos, ao que isto chegou!!!

 

Só me apetece dar pontapés em qualquer coisa!!!

 

publicado por flordocardo às 15:53
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13
Jan 14

 

 

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Última hora: amanhã é dia de biopsia no Curry Cabral. Dia 16 devo regressar a casa.

 

É assim, meus caros...

 

 

publicado por flordocardo às 22:21
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09
Jan 14

 

 

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POEMA QUASE EPITÁFIO

 

 

Violentamente só

desfeito em louco

- nem um gato lunar

te arranha um pouco

 

Morreram-te na família

irmãos mais velhos

Restam retratos de vidro

e espelhos

 

Entre as fêmeas bendita

não te quis

As outras mataste

(nem há sangue que te baste)

 

O chão do teu país

deu-te água e uma raiz

muitas pedras mas prisões

 

- Senhor demónio dos sós

Quando ele morrer

onde o pões?

 

  

                              Luiza Neto Jorge (1939-1989)

 

(do livro «Os sítios sitiados» - Ed. Plátano, 1973)

 

publicado por flordocardo às 03:28
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