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No dia 8 de Março de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando as instalações da mesma. Reivindicavam a redução do horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias que, nas suas 16 horas de trabalho, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram encerradas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres acabaram por morrer queimadas.
 
Deve-se à revolucionária alemã Clara Zetkin (1857-1933) a proposta de criação do Dia Internacional da Mulher. Tal proposta foi por ela apresentada em 1910, na 2ª. Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada na capital da Dinamarca.
 
A proposta de Clara Zetkin correspondeu à necessidade de dar um forte impulso à luta organizada das operárias, numa época em que a entrada massiva das mulheres no trabalho fabril e o desenvolvimento do movimento comunista conduziram à intensificação da luta das mulheres por melhores condições de trabalho, melhores salários e por direitos sociais e políticos. Consciente da importância decisiva da participação das mulheres trabalhadoras na transformação da sociedade, Clara Zetkin assumiu um papel notável na dinamização e na luta organizada das trabalhadoras e na incorporação das reivindicações específicas das mulheres no seio do movimento comunista internacional.
 
Por isso, Clara Zetkin nunca deixou de advertir para o seguinte: que a igualdade jurídica e política (direitos pelos quais se bateu!) não seriam condição suficiente (ainda que necessária) para transformar a situação das mulheres trabalhadoras: «A emancipação da mulher, como a de todo o género humano, só se tornará realidade no dia em que o trabalho se emancipar do capital. Só na sociedade socialista as mulheres, como os trabalhadores, tomarão posse plena dos seus direitos».
 
Posto isto, parece-me que o Dia Internacional da Mulher tem hoje muito pouco a ver com a sua matriz original... Hoje, o 8 de Março assemelha-se mais – no conteúdo e na forma como surge nos meios de comunicação social - a uma espécie de “albergue espanhol”, onde cabem «primeiras-damas», ex-ministras, promoções de perfumes e soutiens “revolucionários”…
 
As mulheres trabalhadoras sabem do que falo. E é para elas - essa outra «metade do céu» que nunca verga! - que vai o meu incentivo neste dia: força!
 
(PS – Alguns dados:
 
No seio da União Europeia, a mulher portuguesa é a que trabalha mais horas, sendo igualmente a que ganha menor salário e detém a maior percentagem de salários desiguais em relação ao homem (menos 19% em relação à média geral e menos 23% na indústria, em relação aos salários dos homens).
O número real de mulheres desempregadas ultrapassa os 300 mil, representando 52% do total dos desempregados.
Quanto à precariedade, segundo dados do INE, relativos a 2008, 450 mil mulheres assalariadas tinham um contrato de trabalho não permanente.)

 

publicado por flordocardo às 00:07

Tens razão. Sinais dos tempos (ainda que um mimo não faça mal a ninguém, neste dia e nos outros)...
Bjões!
flordocardo a 8 de Março de 2010 às 23:15

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