06
Abr 10

 

«NUNCA SE SABE.» (1)

 

Papéis velhos com poemas: são o joio

das gavetas. Relê-los causa aversão

e uma espécie de tristeza arrependida –

são tão nossos como as más recordações

e ainda vemos a circunstância precisa,

a causa, a ferida, por detrás de cada um.

 

Mas na altura havia esperança: é isso

que representam. Não pelas coisas que

dizem - é só descrença e fastio – mas

pela simples razão de termos querido

guardá-los. Com um pouco de alento,

de inspiração e trabalho, ainda se endireita

isto. Ou seja, os versos. E até a vida.

 

                                                             Rui Pires Cabral (n. 1967)              

 

(do livro «Oráculos de Cabeceira» - Averno, Lisboa/2009)

 

(1) Ítalo Calvino, «O Cavaleiro Inexistente» (tradução de Fernanda Ribeiro e Herberto Helder), Lisboa, Portugália, 1965, p. 143.

publicado por flordocardo às 01:54
tags:

Abril 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9





Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO