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Abr 10

 

 

Por aqui se haver falado em papéis velhos… Eu, incapaz de dar conta dos meus - por todas as razões e mais uma, ontem e hoje vencido por inércia lenta e sufocante, quando mais precisava de a devorar -, eis que encontrei o manuscrito deste poema, o único que afinal me lembro de ter escrito quando visitei por breves dias Maputo e a Lagoa de Bilene, em Moçambique. Bom augúrio? Desconheço (nem importará assim tanto).

Sei que o passei agora a limpo. E ele aqui vos fica - para o que quer que seja que ele vos possa ser(vir).

E agora vou tentar continuar a rasgar mais papéis velhos, pela noite fora.

 

*   *

 

CAMINHO

 

Caminho pela rua do bulício…

caos organizado

energia silvando calma

entre uma espécie de semi-ruínas

 

Caminho pela praia…

maresia suave

entre conchas mangas

cajueiros

raízes sem casa

destapadas

latas vidros

alguma coisa perdida

entre os dentes do tempo

 

Caminho pela lagoa…

silêncio quebrado

pelo borbulhar da leve ondulação

as rãs

os caranguejos

as redes

 

Caminho (é já noite)…

simplesmente respiro

livre respiro

enquanto a osga come a borboleta

(sem metafísica)

 

(Moçambique, Bilene - 11.05.2005)

 

publicado por flordocardo às 02:38

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