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O projecto de represamento de águas do Alqueva (que levou uma imensidão de tempo a construir) foi sempre apresentado, tanto quanto me lembro, como tendo as seguintes virtualidades: criar uma reserva estratégica de água no país, produzir energia, possibilitar no Alentejo um outro tipo de agricultura, mais virada para as culturas de regadio e, por acréscimo (e só complementarmente), desenvolver outras actividades económicas, como o turismo. Pois agora é preciso dizer claramente que todo este desígnio está totalmente invertido. O cluster do turismo assim o impôs ao poder político que temos…

O mais gritante e recente exemplo de tal subversão reside no projecto «Roncão d’El Rei», empreendimento capitaneado pelo sr. José Roquete.  

A primeira fase da obra já arrancou em Abril, com a presença do primeiro-ministro Sócrates, envolvendo um investimento de 80 milhões de euros. É um PIN - «projecto de interesse nacional» -, curiosamente promovido por um norte-americano chamado Len Silverfine (especialista em «marketing estratégico») e que vai ser gerido pela cadeia internacional Alila (com resorts no Bali, Tailândia e Maldivas), sediada em Singapura… Daqui se pode concluir qual o papel «empreendedor» do sr. Roquete na coisa, não é?...

Mas continuemos.

O projecto turístico em questão - que é apresentado, como sempre, como muito «ambiental» e «verde», e ainda por cima criador de muitos postos de trabalho (2 mil directos e 3 mil indirectos, imaginem!) - vai compreender 2 mil hectares de terras envolvidas no projecto do Alqueva; e quando concluído albergará 7 hóteis, 2 marinas, 4 campos de golfe, aldeamentos turísticos e outras coisas mais.

Agora perguntarão vocês (e eu): onde param as outras virtualidades, prioritárias, da construção do «maior lago artificial da Europa»?

Ele há cada pergunta…

Pois é, há perguntas - e respostas - que permitem constatar como este país navega à vista, gasta o nosso dinheiro e ainda reclama contra o défice, exigindo que o paguemos (talvez directamente em Singapura, quem sabe)!

Ora é por estas e por outras que é perfeitamente claro que as medidas de austeridade que agora nos querem impor (tal como em 1978 e em 1983) não visam alterar paradigma económico algum, constituindo antes um processo de lançar mais achas para a fogueira da crise.

publicado por flordocardo às 12:34

tudo para o turista e o alentejano serve para lhe lavar os pés...é fartar vilanagem!
Porto Santo a 17 de Maio de 2010 às 17:46

Com estes senhores servimos para criadagem... Ah, pois é!
flordocardo a 17 de Maio de 2010 às 18:39

Este teu post faz-me sorrir e não ficar de todo admirada... é o mundo que temos !!
E toca a sorrir e cara alegre!
Abraço
ónix a 17 de Maio de 2010 às 19:18

Já nada nos admira... Mas isso é grave, acredita.
Bjões! * * *
flordocardo a 18 de Maio de 2010 às 00:43

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