09
Out 10

 

*   * 

 

O QUE APRENDI

 

Podemos ser pisados

Podemos cuspir sangue

É possível que sejamos forçados a lavar com mijo

as feridas abertas nas mãos

Podem mesmo encostar-nos à parede

fuzilar-nos

queimar depois os ossos para adubo

 

Pode acontecer-nos tudo.

 

Nunca calaremos

Nunca vergaremos

Nunca desistiremos

E teremos sempre

apesar de tudo sempre mãos

ou um simples olhar entre os nossos

entre nós

para o afago oportuno da ternura

Para os erguer do chão

Para hastear a dignidade bem acima da morte

 

Posso morrer de muita coisa

mas não disto que me ensinaram

 

(Cruz Quebrada, 20.09-06.10.2010)

 

 

   

(PS - Era mais ou menos um compromisso assumido voltar a falar-vos dos 40 anos do MRPP. Difícil. Não consegui. Mas espero que este poema que aqui deixo

releve essa minha falta.)

 

publicado por flordocardo às 00:12

 

 

Pois é. Mais um anito por cá.

E aproveito para dar os parabéns à Teresa Ferreira, que também faz anos neste dia. Que faças muitos mais!

publicado por flordocardo às 00:05
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08
Out 10

 

(Apesar da tarde não estar amena...)

 

*   *   *

 

 

NO BANCO AO PÉ DAS NOSSAS CASAS

 

                                                 À memória da minha amiga

                                                                                    Marta Furtado

 

 

aquela tarde amena foi a última

a ver-te por aqui. sei que perguntaste

à minha mãe por mim, estava eu

longe, no meu emprego estável,

começando a ganhar a vida e

a perder a alma aos pontos.

 

amena, ainda a tarde esteve contigo

e eu não, neste banco ao pé

das nossas casas, onde me sento

hoje à espera que a tua voz me fale

de poetas, paixões vertiginosas, pintores

que descobriste, de uma passagem dos

The The que cantas sem respirar.

 

talvez pudesse agora devolver-te

qualquer coisa, mostrar-te como

as músicas de Lhasa, estas fotografias

de Paris com neve e este filme do

Clint Eastwood sobre a redenção e o amor

podem ajudar a atravessar uma noite.

 

mas tu deves estar a desenhar

e a esta hora, Marta, já não vens.

amanhã, se a tarde estiver amena,

trago tudo comigo e espero por ti

neste banco ao pé das nossas casas

 

                                                Renata Correia Botelho

 

(do livro «Small Song» - Averno, Setembro/2010)

 

publicado por flordocardo às 12:57

07
Out 10

 

(uma música para a sossega, por entre a chuva que cai)

 

publicado por flordocardo às 23:58
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*   *

 

POÉTICA (I)

 

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é o meu norte.

Outros que contem
Passo por passo
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.

                                Vinícius de Moraes (Brasil, 1913-1980)

(do livro «O Poeta Apresenta o Poeta» - Publicações Dom Quixote, Abril/1969)

publicado por flordocardo às 15:10
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06
Out 10

publicado por flordocardo às 22:44
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four-eyes-flash-drive

 

Paulatinamente, anda-se a construir pelo mundo uma “democracia” assente no medo. A pretexto de tudo e mais alguma coisa, pimba! Lá se desfere mais uma facada na dita criatura!

 

A última novidade nesta matéria vem de Inglaterra e foi imaginada pela empresa de segurança «Internet Eyes». Esta montou uma linha de negócio alicerçada na bufaria.

 

É fácil. Instalam-se câmaras de filmar em ruas e lojas, câmaras essas que estão ligadas à net. Depois, sentados na paz dos seus lares, cidadãos ingleses que previamente se voluntariaram para o efeito observam as imagens obtidas e, se detectam algum suspeito, comunicam o facto à dita empresa (ou à polícia, através de linhas telefónicas e sites próprios já criados para o efeito), recebendo 20 libas por semana pelo serviço e mais 1000 libras por cada suspeito que venha mesmo a ser identificado como um malandro de facto.

 

E viva a Liberdade! E viva a Segurança! E viva a Democracia!

 

 
publicado por flordocardo às 12:54

05
Out 10

 

  

Centenário da República. Continuo a achar as comemorações uma espécie de baile final de um acto de ópera. Pouco mais consigo dizer sobre o assunto (que custou, ao que parece, 10 milhões de euros). Pode ser que o problema seja meu.

Entretanto os juros da dívida voltaram a subir. E soube que Teixeira dos Santos foi à China, tentar vender títulos da dívida pública portuguesa, mas sem sucesso...  

Vou começar apreensivo o dia de amanhã.

 

(PS - Comunico que estou a entrevistar o Bocage. Está a ser duro...)

 

 

publicado por flordocardo às 23:41

04
Out 10

 

 

*   *   * 

 

BOM CONSELHO

 

Põe sempre os nomes aos bois

Nas histórias que contares.

Ou logo os burros depois

Se queixam de os retratares:

“Mas são as minhas orelhas!

Este azurrar é o meu!

Se estas são minhas guedelhas!

Ai este burro sou eu!

Não me nomeie ele embora,

Toda a Pátria vai agora

Saber-me por burro, hin-hã!

Ai que eu, hin-hã, hin-hã!”

- Quiseste a um burro poupar…

Logo doze hão-de zurrar.

 

                                 Heinrich Heine (Alemanha, 1797-1856)

 

(do livro «Poesia de 26 Séculos» - Antologia organizada por Jorge de Sena - Asa,2001)

publicado por flordocardo às 14:42
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(E vem aí mais uma semana de trabalho.)

 

publicado por flordocardo às 00:00
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