12
Mar 11

 

*  *  * 

 

Um pouco por todo o país, acho que houve hoje um belíssimo cheirinho a alecrim...

 

(Foto LUSA)

 

Milhares de portugueses nas ruas contra precariedade

publicado por flordocardo às 23:06

 

(Há algo nisto que me faz conectar com o post antecedente...)

 

publicado por flordocardo às 00:52
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*   *

 

1. Tomando posse e discursando na quarta-feira de cinzas, Cavaco Silva resolveu em plena Assembleia da República prolongar o Carnaval. De facto, depois de uma imensa e enjoativa expectativa criada pela comunicação social em torno do que iria ou não iria ser o teor do programado discurso, eis que o discurso em si constituiu uma manifestação de impotência política (de Cavaco, mas sobretudo do estado nauseabundo a que chegou o poder dominante).


Vestindo agora a pele de uma espécie de tribuno do povo (que até proclama ser preciso “dar voz a quem não tem voz”!...), Cavaco incentivou Portugal a protestar contra o governo do engº. Sócrates. Admirados? Não vejo razão para tal. Na verdade, Cavaco mais não pretende do que um acréscimo de popularidade que lhe permita, sem grandes engulhos, dissolver a AR, fazendo cair o governo.

 

Por isso, eu continuo na minha: pelo menos momentânea e conjunturalmente, Cavaco assume-se como chefe da “oposição” (burguesa, claro) ao governo reaccionário de Sócrates. Só lhe falta - se é que já não o fez - mandar calar uns desbocados do PSD, tipo Menezes, Rio, Santana Lopes e outros…

 

O problema (nosso) é que “situação” e “oposição” a mesma cambada são. O bacalhau não foi enterrado na quarta-feira e, portanto, o Carnaval continua.

 

Mas uma coisa é certa: não aceito que me imponham a “opção” de ter que escolher entre a forca e cadeira eléctrica para que o país ultrapasse a crise. Pura e simplesmente a crise não se ultrapassa por qualquer dos lados desta falsa dicotomia carnavalesca.

 

Eles, num beco sem saída, conduzem-nos para o precipício. Nós temos que abrir uma saída no beco.

 

2. A comprovar isto mesmo (quer dizer, o Carnaval, o beco sem saída e a urgência de encontrar uma saída) temos as novidades “adicionais” anunciadas ontem pelo executivo “socialista”.

 

De manhã, o ministro das Finanças chama os jornalistas e anuncia as novas medidas de austeridade; zelosos, os jornalistas apressam-se a divulgá-las pela manhã e pela tarde; para logo horas depois, já noite, o Primeiro-ministro anunciar no final dos Trabalhos da Cimeira Europeia aquelas mesmas medidas, revelando que foram apreciadas pelos seus pares europeus e pela Alemanha em particular.

 

Isto é, meus caros, a democracia representativa no seu apogeu. Digam lá se não é assim que ela se pratica, desenvolve e frutifica?!

 

publicado por flordocardo às 00:44

11
Mar 11

 

(Porque hoje é sexta-feira e precisamos de encarar o fim-de-semana som um sorriso nos lábios...)

 

 

publicado por flordocardo às 02:42
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09
Mar 11

publicado por flordocardo às 23:27
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08
Mar 11

 

8 de Março - Dia Internacional da Mulher.

Nada mais me ocorreu do que este poema. Espero que gostem. 

 

*   *

 

NÓS SOMOS

 

Como uma pequena lâmpada subsiste

e marcha no vento, nestes dias,

na vereda das noites, sob as pálpebras do tempo.

 

Caminhamos, um país sussurra,

dificilmente nas calçadas, nos quartos,

um país puro existe, homens escuros,

uma sede que arfa, uma cor que desponta no muro,

nós somos, existimos.

 

Como uma pequena gota às vezes no vazio,

como alguém só no mar, caminhando esquecidos,

na miséria dos dias, nos degraus desconjuntados,

subsiste uma palavra, uma sílaba de vento,

uma pálida lâmpada ao fundo dum corredor,

uma frescura de nada, nos cabelos, nos olhos,

uma voz num portal e a manhã é de sol,

nós somos, existimos.

 

Uma pequena ponte, uma lâmpada, um punho,

uma carta que segue, um bom-dia que chega,

hoje, amanhã, ainda, a vida continua,

no silêncio, nas ruas, nos quartos, dia a dia,

nas mãos que se dão, nos punhos torturados,

nas frontes que persistem,

nós somos,

existimos.

 

                                         António Ramos Rosa (n. 1924)

 

(do livro «Líricas Portuguesas - II Volume» - com selecção e apresentação de Jorge de Sena, Edições 70, 1983)

 

publicado por flordocardo às 13:59
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07
Mar 11

 

Water Sculpture from Shinichi Maruyama on Vimeo.

 

(Isto é capaz de aliviar o stress das segundas-feiras, não acham?)

 

publicado por flordocardo às 13:34
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06
Mar 11

publicado por flordocardo às 22:37
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*   *

 

PRESENÇA

Como se as tuas mãos sobre os meus olhos ainda
pudessem, como antes, deter-se com amor,
gosto de fechar os olhos quando penso em ti. Sonora,
a tua lembrança move-se na penumbra clara…

Volto a ouvir os teus passos lá longe, na luz.
Meço, em tom e ritmo, a distância.
Agora, deténs-te perto. Aspiro, rosa rançosa,
uma rajada ardente do teu antigo perfume!

As lembranças, os sentidos, toda a minha vida,
calam-se perante a angústia vigilante do ouvido
que te persegue no silêncio onde te recolhes.

Se agora esticasse os braços na escuridão, ainda
poderia amparar-te, sonho de cada dia.
Mas já não estarás aqui quando eu voltar a abrir os olhos.

 

                                                           Màrius Torres (Catalunha, 1910-1942)

 

(do livro «A Cidade Longínqua» - tradução de Rita Custódio e Àlex Tarradellas, edição da Ovni)

publicado por flordocardo às 00:35
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05
Mar 11

 

*   *

 

Vistas as notícias e comentários, de trás para a frente e da frente para trás, concluo que o encontro/visita entre Sócrates e Merkel serviu ambas as partes, deixando tudo na mesma. Esperar algo diferente seria também ser portador de uma ingenuidade atroz, não acham?

Merkel mostrou estar vigilante, apreciando o esforço já desenvolvido; Sócrates mostrou estar a cumprir e disposto a ir mais além, caso seja preciso.

A comunicação social deu conta da coisa e fez o(s) "boneco(s)" da praxe. Os famigerados «mercados» não ligaram muito ao evento e continuaram preocupados com os lucros.

Chama-se a isto, creio eu, "normalidade democrática".

 

Mas não pode ser! Que "normalidade" pode existir à face da Terra quando Sócrates aproveita para proclamar, em Conferência de Imprensa após o encontro, não ser subserviente a ninguém, excepto ao povo português?!

Uma verdadeira tirada de leão. O nascimento de mais um "patriota"!!!

 

 

publicado por flordocardo às 19:12

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