26
Nov 11

 

*   * 

 

Portugal vai pagar um total de 34.400 milhões de euros em juros pelos empréstimos do programa de ajuda da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), segundo revelou o ministro das Finanças do actual governo.


Coisa pouca... Porreiro, pá!

 

Entretanto, Alemanha e França preparam um novo pacto de estabilidade para a UE, a vigorar a partir do próximo ano, segundo revela hoje o jornal alemão «Bild»...

publicado por flordocardo às 19:47

publicado por flordocardo às 00:08
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*   *

 

Aniversário

  

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui - ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o eco...)
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a humidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas

                                                                                                        [lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais

                                                                                                               [copos,
O aparador com muitas coisas - doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos…

Pára, meu coração!
Não penses!  Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

 

15-10-1929

                                 Álvaro de Campos



(do livro «Poesia» - Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002)

 

 

publicado por flordocardo às 00:07
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25
Nov 11

 

*   *

 

Crítica da Poesia

 

Que a frenética poesia me perdoe
se a um baço rumor levanto o laço,
pois que verso não há onde não soe
a música discreta doutro espaço.

Horizonte do verso é a dureza:
já mansidão não cabe neste olhar
que se pousa na faca sobre a mesa
e aprende nela o fio do seu cantar.

Mas se olhar nela pousa, como corta?
E se as palavras sabemos retomar,
quem nos devolve a chave dessa porta
onde a herança está por encerrar?

Tão longe está de nós a poesia
como nuvem nos rouba a luz do dia. 

                                                    Luis Filipe Castro Mendes (n. 1950)

 

(do livro «Viagem de Inverno» - Livros Quetzal/1993)

 

 

publicado por flordocardo às 18:24
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publicado por flordocardo às 17:35
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*   * 

 

O primeiro-ministro escusou-se a comentar os resultados da greve geral de ontem e os incidentes verificados em frente à Assembleia da República.

Foi o melhor que ele fez - pois já nos bastou escutar o Relvas e companhia, não acham?...

 

publicado por flordocardo às 00:23

 

*   *   *

 

«As palavras pedra ou faca ou maçã, palavras concretas, são bem mais fortes, poeticamente, do que tristeza, melancolia ou saudade. Mas é impossível não expressar a subjetividade. Então, a obrigação do poeta é expressar a subjetividade mas não diretamente. Ele não tem que dizer eu estou triste. Ele tem é que encontrar uma imagem que dê idéia de tristeza ou do estado de espírito - seja ele qual for - por meio de palavras concretas e não simplesmente se confessando na base do eu estou triste.»
João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto

publicado por flordocardo às 00:19
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24
Nov 11

 

*  *

      São José, Capuchos e Santa Marta

         com rendas de 7 milhões/ano   

 

Três dos quatro hospitais que compõem o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) pagarão à «Estamo», a partir de Janeiro do próximo ano, sete milhões de euros anuais de renda, segundo Teresa Sustelo, a coordenadora do grupo.   

 

Teresa Sustelo revelou à Lusa que este valor de rendas resultou da venda dos imóveis onde actualmente estão localizados os hospitais de São José, Santa Marta e Capuchos (do CHLC faz igualmente parte o Hospital Dona Estefânia, que não foi vendido).

A Maternidade Alfredo da Costa (MAC) e o Hospital Curry Cabral (HCC) deverão igualmente fazer parte deste centro, o que significará um milhão e meio de euros de renda anual referentes ao HCC. Teresa Sustelo foi contra a venda destes hospitais, porque havia o risco das instituições poderem vir a pagar renda se, em 2012, o hospital oriental de Lisboa (Chelas) não estivesse construído, tal como vai acontecer.

A compra dos terrenos para a futura instalação do hospital foi, aliás, feita com os 12 milhões de euros resultantes da venda do Hospital do Desterro, que pertence ao CHLC, mas foi entretanto desactivado.

Os imóveis dos hospitais de São José, Capuchos e Santa Marta foram vendidos por mais de 100 milhões de euros à «Estamo» - uma empresa do grupo Sagestamo vocacionada para a compra de imóveis - valor distribuído pelos cuidados de saúde primários e os capitais estatutários dos hospitais Entidades Públicas Empresariais (EPE).

Na condição de EPE, o CHLC recebeu 12 milhões de euros desse montante.

 

(PS - Eu apreciaria que o grupo Sagestamo fosse investigado quanto antes!)

 

publicado por flordocardo às 23:21

 

*   *

 

O nosso país gera, todos os meses, 15 mil milhões de PIB, possuindo assim os recursos financeiros para se bastar a si próprio e às necessidades do seu povo?

 

NÃO PAGAMOS!

 

publicado por flordocardo às 19:56

 

*    *

 

Quem ora soubesse
Onde o Amor nasce,
Que o semeasse!

De Amor e seus danos
Me fiz lavrador;
Semeava Amor
E colhia enganos;
Não vi, em meus anos,
Homem que apanhasse
O que semeasse.

Vi terra florida
De lindos abrolhos,
Lindos pera os olhos,
Duros pera a vida;
Mas a rês perdida
Que tal erva pasce
Em forte hora nasce.

Com tanto perdi,
Trabalhava em vão:
Se semeei grão,
Grã dor colhi.
Amor nunca vi
Que muito durasse,
Que não magoasse.

 

                                         LUÍS VAZ DE CAMÕES

 

publicado por flordocardo às 01:47
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