24
Dez 12

 

*   *   *

 

ROGO ESCUTADO A UM CORAÇÃO

 

Não faças de mim um despreocupado
os meus irmãos trabalham nas produções ruidosas
mas eu tenho de ir aos mortos e aos esquecimentos
a mostrar a árvore o ramo e o raminho
onde despontou primeiro a primavera.

No silêncio e na esperança repousa a minha vida
que eu não seja um distraído mesmo que a festa ao longe
... me chame toda a noite. Como louvarei
o sono e o despertar, os primeiros cantos e as últimas estrelas?
Tenho tanto que fazer - contemplar a árvore o ramo e o raminho
onde despontou primeiro a primavera
governar velhas nações desavindas no meu peito
deixar comida limpa aos animais da rua.

Não me deixes ser um despreocupado
os meus irmãos saíram para trabalhar em terra estranha
sou que tenho agora de amar os horizontes
fazer visitações, traçar as Tuas marcas que salvam nas soleiras.

Não há hora de descanso para as minhas vigilâncias
deito-me e levanto-me nos turnos do temor.
Quem há-de pôr grinaldas nos círculos do fogo?
Quem há-de levar água à boca dos sedentos?
Não permitas que eu seja um despreocupado
correspondo a rostos pobres, entrego-me aos olhares
e só assim distingo, espelho e anuncio.
Grandes coisas se preparam mas os meus irmãos não vêem.
Agora tenho de ir a guardar as orações
a recordar a árvore o ramo e o raminho
onde despontou primeiro a primavera.

                                                       Carlos Poças Falcão (n. 1951)

publicado por flordocardo às 13:49
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23
Dez 12

 

 

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(Afasto lentamente as chamas de teu rosto)

 

  

Afasto lentamente as chamas de teu rosto

como se afastasse de teus olhos os cabelos

 

E vejo-te ainda sorrir inteira

com chamas acesas no olhar

 

 

(Parede, 20.12.2012)

 

publicado por flordocardo às 14:55

publicado por flordocardo às 00:12
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21
Dez 12

 

publicado por flordocardo às 19:36
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19
Dez 12

 

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Depois de todas as declarações surreais que já ouvi sobre a visita da polícia à RTP, para visionamento das imagens recolhidas sobre os incidentes de 14 de Novembro junto ao Parlamento, fiz as contas à «maioria ignara» (parafraseando Herculano) que pulula por aí. Cheguei à conclusão de que aquilo é uma casa «sem rei nem roque», embora sempre ao serviço da «voz do dono»...

 

Assim, proponho uma solução drástica:

 

Encerre-se a RTP; suspenda-se a privatização já; contrate-se uma empresa de desinfestação que proceda-se adequadamente à limpeza cabal de todo o edifício da televisão pública, de preferência antes da passagem de ano; coloquem-se em seguida as referidas instalações à guarda do Provedor de Justiça, por um «período de nojo», digamos assim, nunca inferior a um mês; empreenda-se depois um inquérito e votação nacionais, sob a tutela do Provedor de Justiça, sobre o que deve ser a televisão pública e quem deve administrá-la.

 

Acham justo?   

 

publicado por flordocardo às 16:43

17
Dez 12

 

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«A calúnia e a injúria são armas da ignorância.»


                                                                     George Sand

publicado por flordocardo às 21:28
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16
Dez 12

publicado por flordocardo às 12:53
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14
Dez 12

 

 

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 O OSSO CÔNCAVO

 

Ó ímpeto do Espírito,

radícula que o vento despenteia e o músculo imprime

travejado por dentro!

 

Ó longilínea dilatação do tempo,

barca oblonga onde nascem os rios, lentos,

adornando seu plasma na noite!

 

Da tua anca de água negra, das cavernas

soltas  no dorso do abismo,

é que te escarvo, osso côncavo,

a fauce rilhando de te lancetar a carne inútil,

o gume da estraçalhada língua, o sibilante enigma,

a curva suspensa e a sombra eléctrica,

ó força, ó inominado!

 

E de te ver!

 

Nem linha elíptica, tu a combinatória do que persiste

no desvão das palavras, quando ingénuas convocam

a eternidade, e nem trave rectilínea ou frontispício,

ou ensanguentada testa de fauno,

tu que só aceitas o esterno e o ilíaco

e a lava que se derrama dos pulmões furiosos;

 

E concebeste o indizível! Como dizer o que há no vazio

em riste dessa curvatura, oscilante eco sem memória

de ventre onde nem a águia se atreve ao vôo

e a serpente se desenrola até à evaginação de si?

              

Não te nomeio. Caminho. E o plano se inclina, grave,

ondulantemente terrível. Névoa ou pele ou pano,

já às raízes se contraem e pulsam, odoríferas, húmidas,

um enxamear de deuses espargindo a poeira;

 

E tu, intacto, flutuante onde ninguém te disse

e a palavra se acoita, espasmódica,

fetal. Seu silêncio enformando-o, ao osso,

côncavo.

 

                  Luís Carlos Patraquim (n. Moçambique, 1953)

 

(do livro «Osso Côncavo e Outros Poemas» - Editorial Caminho, 2005)

 

publicado por flordocardo às 01:11
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Uma semana do caraças!

A UE recebeu o Prémio Nobel da Paz, o Sporting foi ao circo, o Papa estreou-se no twitter, o Benfica foi ao circo, o mundo não acabou no dia 12, o OE/2013 chegou a Belém, a supervisão bancária europeia vem a caminho,  a UGT descobriu que 2013 deve abrir com um salário mínimo nacional de uns “decentes” 500 euros, a empresa "Newshold" diz ter disponibilidade e meios para tomar conta da RTP e Portugal vai estar sobre uma depressão que, começando a Norte, se entenderá esta sexta-feira, progressivamente, ao Centro e ao Sul do país…

Que mais pode um homem desejar???

 

publicado por flordocardo às 00:57

11
Dez 12

 

 

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PROVÉRBIO POPULAR

«A inveja está sempre em jejum.»

 

publicado por flordocardo às 19:04

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