03
Jul 10

 

Acho este poema absolutamente notável.

 

*  * 

 

INVARIANTES

 

Os cavalos não morrem

partem à tarde

para se dessedentarem no rio do relincho

 

Entre os dois azuis, há apenas

a gaivota

 

Só tenho a minha pele

para dormir

só a juta da palavra para cobrir as partes íntimas

 

Apenas as formigas

me sobem aos lábios, me puxam pela língua

 

Sou magro, o frio é a minha camisa

 

                   ZAKARIA MOHAMMED (n. 1951 na cidade de Nablus, na Cisjordânia)

 

(do livro «Pequena Antologia da Poesia Palestiniana Contemporânea», selecção e tradução de Albano Martins - Edições ASA, Fevereiro/2004)

 

 

publicado por flordocardo às 00:30
tags:

Gosto!
Abraço!
Luísa a 3 de Julho de 2010 às 16:46

Também acho que é muito bom!
Bom fds!
anónimo a 3 de Julho de 2010 às 19:15

Fabuloso, mesmo. É bom ler palavras escritas assim...
Bjus
ónix a 4 de Julho de 2010 às 19:40

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