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Out 09

 

«Pátria Soberana seguido de Nova Ficção» é um livro de António Ramos Rosa publicado em Outubro de 1999 pela «Quasi Edições». Devo tê-lo comprado e lido aí por volta de Maio do ano seguinte; e voltei, agora, casualmente (como gosto de fazer com a poesia), a pegar nele.
 
Os poemas contidos nesta obra pareceram-me muito actuais na altura; agora, parecem-me ainda mais actuais e, acima de tudo, premonitórios.
 
Deixo-vos hoje um dos poemas deste livro. Mas haverá mais em breve!
 
* *
 
Chamo pátria de profundas veias
a essa relação viva entre os homens se ela houvesse
e não esta condição de anónima indiferença
e de vaga identidade flutuante
sem cúpula e sem os templos brancos
com jardins de um ócio voluptuoso
É por isso que estamos condenados
à solidão de não pertencermos à dilatada força
que constitui um universo e projecta um horizonte
de humanidade viva em floração unânime
Somos apenas cúmplices da nossa inabilidade
e dos ornamentos com que a revestimos
para parecer que somos e ser o que parecemos
Quem escreve procura abrir um espaço numa muralha
tão opaca mas vaga e cinzenta
que esse espaço imaginado de branca identidade
não é mais que um aceno à possível liberdade
para além da sua glória profanada
publicado por flordocardo às 01:51
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Acabaste de receber um prémio!
Aqui está ele:
http://milestgo.blogspot.com/2009/10/premio.html
Beijos
*Sílvia*
Miles to go... a 29 de Outubro de 2009 às 13:04

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