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Out 09

Do mesmo livro de António Ramos Rosa, antes referido, um outro poema.

  

 

 

 

 

 

*  *

 

São estes os meus semelhantes

e decerto são porque respiramos a mesma poeira

mas para eles ela é o único espaço de existência

e para mim o que deverá ser purificado

por um vento que ignoro de onde virá

 

Passamos uns pelos outros

em anónima coexistência

em passos vãos que sendo se equivalem a não serem

Só os amigos quebram esta monótona identidade

com acenos de uma comunidade viva

que não somos

 

Chamamos a esta coexistência sociedade

que não é mais do que ter perdido a pátria

a sua fisionomia sagrada as suas maternas coxas

Oh em que muralha está a estatura ubíqua

desse seio de água e desse vento regeneradores

que eram a presença viva da vida unificada?

 

publicado por flordocardo às 18:09
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Outubro 2009
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