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Únicos e raros

Mas sente agora a minha crueldade
sem defesa,
porque to confesso e confesso em verdade
e com verdade: se de alguma coisa tive medo
foi do teu riso trémulo
e poroso como um
desmaio,
do recorte dos ombros,
da tua camisola verde - de um poema
de Byron.
E, sobretudo, sim, da tua grande, da tua imensa
tristeza.
E só por isso
me doeu o deserto que te (e me) arrastava; tantas as mágoas,
as afinidades,
as cumplicidades.
Porque nós somos únicos
e raros.
Juro.

                           Eduarda Chiote
(n. 1930)
(do livro «O Meu Lugar à Mesa» - Quasi Edições, 2006)

publicado por flordocardo às 13:16
tags:

Nem de férias ficas quieto? Mas ainda bem!
Bjitos! *
TF a 29 de Julho de 2010 às 14:51

Bicho-de-carpinteiro!!!
Bjitos! :-)
flordocardo a 29 de Julho de 2010 às 15:45

A minha avó dizia sempre isso, que eu tinha o bicho-carpinteiro. Ainda hoje acho que é das expressões mais curiosas e engraçadas e também acho que tem um significado muito interessante, além da primeira vista =)
Ana a 30 de Julho de 2010 às 13:59

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