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Jul 10

 

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Únicos e raros

Mas sente agora a minha crueldade
sem defesa,
porque to confesso e confesso em verdade
e com verdade: se de alguma coisa tive medo
foi do teu riso trémulo
e poroso como um
desmaio,
do recorte dos ombros,
da tua camisola verde - de um poema
de Byron.
E, sobretudo, sim, da tua grande, da tua imensa
tristeza.
E só por isso
me doeu o deserto que te (e me) arrastava; tantas as mágoas,
as afinidades,
as cumplicidades.
Porque nós somos únicos
e raros.
Juro.

                           Eduarda Chiote
(n. 1930)
(do livro «O Meu Lugar à Mesa» - Quasi Edições, 2006)

publicado por flordocardo às 13:16
tags:

A minha mãe uma vez disse ao meu pai que o que lhe chamou a atenção nele foi a sua tristeza.

Este poema é belo e profundo muito além do que eu puder dizer.
Ana a 30 de Julho de 2010 às 14:01

O poema torna-se mais belo quando nos diz o que não soubemos dizer (pelo menos de forma convincente). É uma das minhas teorias.
Abração! *
flordocardo a 30 de Julho de 2010 às 23:41

Essa teoria tem o seu muito de correta, a meu ver.

Retribuo o abração ainda que não esteja certa quanto ao que seja. É-o pela duração, pela intensidade do aperto, pela vontade que se tem dele...? O que é que torna um abração nele mesmo? =P

LOL

Ana a 31 de Julho de 2010 às 01:14

Se juntares essas 3 coisas, tens a resposta. Mas acho que a última é a mais importante.
Mas uma coisa também é certa: tens língua de perguntadeira,ó lá lá. LOL
flordocardo a 31 de Julho de 2010 às 18:58

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