30
Ago 10

 

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«Liberdade de escolha

 

            Era uma livraria que vendia um único livro. Havia 100 mil exemplares numerados do mesmo livro. Como em qualquer outra livraria os compradores demoravam-se, hesitando no número a escolher.»

 

                                                                                          Gonçalo M. Tavares

 

(do livro «O Senhor Brecht» - Editorial Caminho, 2004)

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Ora, não sei porquê, lembrei-me disto a propósito dos discursos da reentré dos vários partidos. Que disse Passos Coelho? Nada. Que lhe respondeu Sócrates? A nada responde-se com nada, obviamente. Que disse Portas? Nada. Que disse Louçã? Nada.

NADA, porque este NADA quer dizer que todos eles se limitaram a formular propostas e propostazinhas, medidas e medidazinhas sem que se vislumbre nelas a mínima ideia sobre o país que acham que temos e sobre o país que acham que devemos ter. Ou seja, parece que a crise não existe nem tem uma dimensão trágica e global - quer para os que trabalham, quer para aqueles que nem emprego conseguem. As reformas, as alterações, os ajustamentos bastam? É tudo uma questão de "boa-vontade" e de voto? É isso, caros senhores?

Não, não é. E eles sabendo isso, todavia isso ocultam.

Com esta gente não há «liberdade de escolha», acreditem.

 

publicado por flordocardo às 18:06

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