04
Set 10

 

*  *

A Mulher

 

Se é clara a luz desta vermelha margem
é porque dela se ergue uma figura nua
e o silêncio é recente e todavia antigo
enquanto se penteia na sombra da folhagem.
Que longe é ver tão perto o centro da frescura

e as linhas calmas e as brisas sossegadas!
O que ela pensa é só vagar, um ser só espaço
que no umbigo principia e fulge em transparência.
Numa deriva imóvel, o seu hálito é o tempo
que em espiral circula ao ritmo da origem.

Ela é a amante que concebe o ser no seu ouvido, na corola
do vento. Osmose branca, embriaguez vertiginosa.
O seu sorriso é a distância fluida, a subtileza do ar.
Quase dorme no suave clamor e se dissipa
e nasce do esquecimento como um sopro indivisível. 

                                                         António Ramos Rosa (n. 1924)

 

(do livro «Volante Verde» – Moraes Editores, 1986)

 

EUGEN HERSH (1887-1967)

Nude Woman

Lápis de Cor sobre papel
52 x 71 cm

 

publicado por flordocardo às 23:01
tags:

Este poema tem que se lhe diga... Gostei!
incógnito a 4 de Setembro de 2010 às 23:57

Achas? Porquê?...
flordocardo a 5 de Setembro de 2010 às 03:57

Os poemas que escolhes são na sua maioria, fantásticos. Este é mais um e aquele lápis de cor no papel também não esta mal.
Bjiiinhos
ónix a 11 de Setembro de 2010 às 00:00

Ainda bem que gostas!
Bjões! * * *
flordocardo a 11 de Setembro de 2010 às 13:14

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