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   Nesta vã tentativa de arrumar livros (nunca sei se os arrumo, se os desarrumo), veio-me às mãos um que já não folheava há alguns anos: «Erva de Agosto».

Trata-se de um livro de poemas de Joaquim Murale, editado pelo próprio autor em Dezembro de 1979. Reli-o em boa parte e permito-me oferecer-vos hoje dois poemas do mesmo.

Não sei que é feito, entretanto, da poesia de JM (embora saiba que já editou posteriormente dois romances). Mas, ó Murale: a gente há-de voltar a encontrar-se por aí, não é?

 

*

 

(Se porventura te disserem que morreste)

 

Se porventura te disserem que morreste

procura as feridas uma a uma do chicote

 

A noite é dos malfeitores e dos vampiros

mudar o vento nos moinhos é urgente ao pão

 

Como a fonte do rio é necessária que corras

certo de alcançar a foz

 

A montanha acolhe o teu grito guerreiro

desafias a morte por fim

 

*

 

(Do inimigo falavam só em aniquilá-lo resolutos)

 

Do inimigo falavam só em aniquilá-lo resolutos

seguramente é bela a primaveril mimosa e odorosa

e nos olhos se lança ao perigo um tal desdém

para quantas campanhas do fogo nos aguardam ainda

                                                                 [não tememos

 

publicado por flordocardo às 00:13
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Este texto bonito. escrever é uma terapia natural que nos ajuda não só para lançar luz sobre os problemas, mas também para superar
grande pene a 22 de Novembro de 2010 às 16:20

Gosto sobretudo do primeiro.
Bjitos!
Melt a 22 de Novembro de 2010 às 17:33

Junta-te à minha mãe que tem tantos livros e passa o tempo a tentar arrumá-los e não consegue... acho que como tu, os desarruma. Agora achei piada.
Também gostei mais do primeiro poema.
Bjinhos
ónix a 23 de Novembro de 2010 às 19:07

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