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Fev 11

 

*   *

 

(Ter o destino em aberto)

 

Ter o destino em aberto

Para o impulso do salto.

Ter sempre o olhar mais perto

Daquilo que está mais alto.

 

Ter a seiva e ter o fito

Das palavras em semente.

Ter o sonho sempre rente

Aos ombros do infinito.

 

Ter das coisas todo o lume

Desde o fim ao seu começo.

Ter as mãos que se entreabrem

À ilha que seja berço,

 

Ao espaço que seja infindo,

À praia que seja o mundo

De um amor que não tem preço

Nem superfície nem fundo.

 

E seguir no desalinho

Dos navios fora de rumo

Por mares sem endereço.

 

                                         João Rui de Sousa (n. 1928)

 

(do livro «Cem poemas sobre Portugal e o Mar» - Ed. Terramar, 2003)

 

publicado por flordocardo às 00:59
tags:

Gostei do poema.
Um abraço
Rosinda
Rosinda a 14 de Fevereiro de 2011 às 16:16

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