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Abr 11

  

*  *

 

NO FUNDO DOS RELÓGIOS

 

Demoro-me neste país indeciso

que ainda procura o amor

no fundo dos relógios,

que se abre

como se abrisse os poros solitários

para que neles caiam ossos, vidros, pão.

Demoro-me

no ventre desta cidade

que nenhum navio abandonou

porque lhe faltou a água para a partida,

como por vezes desaparece a estrada

que nos conduz aos lugares

e ali temos que ficar.

 

                                            Filipa Leal (Porto, 1979)

 

(do livro «A cidade líquida e outras texturas» - Deriva Editores, Outubro/2006)

 

publicado por flordocardo às 16:50
tags:

Gosto!
Abraço! *
anónima a 16 de Abril de 2011 às 00:08

Eu também gosto.
Abraços!
Luísa a 16 de Abril de 2011 às 14:45

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