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No post anterior fiz uma referência, de passagem, ao BE de Francisco Louça, partido que está a viver momentos conturbados, muito em especial desde os resultados desastrosos que obteve nas últimas eleições legislativas. Importará, acho eu, voltar ao assunto com maior pormenor.

Como se sabe, há uns dias atrás foi anunciada por Gil Garcia, da facção Ruptura/FER integrante do BE, a saída dos seus militantes do partido de Louça e a futura criação, até Março do próximo ano, de um novo partido de "esquerda". A coisa suscitou algumas ondas de choque, antes de demais pelo facto de a gota de água que notoriamente fez transvazar as divergências entre uns e outros ter a ver com a defesa, ou não, do pagamento da dívida. Gil Garcia acha que não a devemos pagar; ao invés, Louçã e seus amigos pares acha que ela deve ser paga, embora deve ser renegociada quanto antes. Eis, portanto, como uma política justa, a do não pagamos, se está a tranformar num problema, não só para o actual governo e todo o chamado bloco central, como igualmente para uma certa "esquerda", tão "culta" quanto basbaque....

Convirá, antes de me adiantar mais, dizer o que penso sobre este BE que temos.

O BE assentou desde o princípio na ideia oportunista de que basta juntar tudo aquilo que se reclama de esquerda para se ter uma força política verdadeiramente de esquerda e capaz de obter vitórias. O resultado foi a criação de uma espécie de Casa da Irene, onde se juntaram uma série de rameiras da política com as variadas ideologias da treta. E de uma política, claro, "facturante", mas "politicamente correcta", incapaz de construir uma ideologia e uma prática política revolucionária. É por isso que o BE sempre me soou a moralismo fácil, a um socialismo de cátedra, próprio da pequena-burguesia instruída e bem-pensante e, por isso mesmo, um partido incapaz de se opor vigorosamente ao capitalismo e ao imperialismo, porque manifestamente separado, sob todos os aspectos, das massas trabalhadoras deste país.

Estas concepções oportunistas  entraram no BE em colapso acelerado no decurso da gravíssima crise do sistema capitalista que se está a viver. E, sendo assim, quem se pode espantar com tal colapso e com esta cisão agora anunciada?

Agora oiçam esta... Na nota com que a comissão política dos socialistas de cátedra insulta o dissidente Gil Garcia e seus apoiantes, é óbvio que uma acusação não poderia faltar: «o novo partido da FER é apenas mais um grupo, entre outros, com a mesma linha do MRPP». 

Não temos notoriamente a mesma linha. Mas, notoriamente também, o dito MRPP foi o único partido que, sem tergiversar, defendeu (e defende) o não pagamos. Tal política tem um cada vez maior apoio popular (como, aliás, já se viu no último acto eleitoral e não só). Isto certamente enfurece muito os socialistas de cátedra...

Embora eu não acredite em tal possibilidade, era talvez útil que estes senhores todos se tornassem menos oportunistas e igualmente mais homenzinhos, não acham? 

 

publicado por flordocardo às 01:12

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