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Mar 12

 

 

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Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
... rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das praias
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.

                                       António Gedeão (1906-1997)

(in «Teatro do Mundo», 1958)
 
publicado por flordocardo às 00:38
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As caravelas iam cheias de miseráveis, que fugiam à fome, e de cobiça do ouro.
As Descobertas foram um desastre nacional (até perdemos a independência ) que ainda hoje estamos a pagaer.
Cumprimentos.
artesaoocioso a 19 de Março de 2012 às 22:57

Concordo com a primeira afirmação. Quanto à segunda... "Desastre nacional" parece-me ser um exagero. O que dizer então da adesão à CEE?
Seja como for, o nosso sabor é diferente.
Cumprimentos e continue a passar, ok?

Consideranto a CEE, temos dois desastres.
Na variedade dos sabores é que está a virtude: cada qual com o seu.
Cumprimentos
artesaoocioso a 20 de Março de 2012 às 14:55

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