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Jun 12

 

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Foi mesmo agora tornada pública uma coisa chamada «Convocatória para um Congresso Democrático das Alternativas». Congrega "socialistas", "comunistas", independentes, bloquistas, gente das artes e da cultura... Gente que pretende «denunciar» o memorando assinado com a tróika e «defender o Estado Social».

Considerando que o programa de quem governa Portugal se resume a “Só vamos sair da crise empobrecendo”, e que estamos entregues «à gestão de uma direita obsessivamente ideológica», os autores da iniciativa pretendem lutar pela «democratização das instituições europeias» e «abrir uma negociação com todos os credores para a reestruturação da dívida pública».

Eu, pecador, me confesso: desconfio, logo à partida, de gente que adopta o famigerado Acordo Ortográfico para apresentar este tipo de iniciativas. Mas passemos adiante...

Um Congresso «das alternativas» pressupõe, desde logo, que existe mais do que uma alternativa ao plano da tróika e à política reaccionária do governo PSD/CDS-PP. Não! Ou há UMA alternativa ou não há! Eis, assim, a primeira incongruência nebulosa dos promotores deste Congresso.

Depois, que infindável e inqualificável estupidez é essa de considerar que a direita exerce uma governação «obsessivamente ideológica»?! As governações sempre obedeceram e sempre hão-de obedecer a uma ideologia - a ideologia da classe dominante. Querem ver que umas pitadinhas a menos de ideologia fariam a governação de Passos/Portas ser melhorzinha e mais comestível?... O actual executivo, cheio de tecnocratas, será assim tão ideológico quanto o pintam? Ou será que os autores da presente iniciativa somente visam, com este linguajar ridículo, esconder a sua própria falta de ideologia revolucionária?

Seguidamente, o que é isso de «denunciar» o memorando? É rasgá-lo? Não... Trata-se (estando o memorando, a meu ver, mais do que denunciado pelo povo) de «negociar» a «reestruturação da dívida pública» com os senhores da tróika, ou seja, com os agentes dos credores... E ainda por cima com «todos» eles, como o documento faz questão de salientar. Lindo! E a "lindeza" prossegue com a exposição da pura ilusão de que se pode lutar pela «democratização das instituições europeias», as quais estão nas mãos do imperialismo alemão, dos credores, do grande capital, em suma. Não se pode, meus caros! Do que os senhores deviam falar, isso sim, era da luta pela unidade dos trabalhadores europeus contra o capital; mas quanto a isso... Quanto isso, adeus ó vindimas!...

Por este caminho não se vai longe nem a lado nenhum (a não ser contra uma parede de betão armado). O caminho certo para resgatar Portugal das mãos dos seus algozes internos e externos passa por RENEGAR A DÍVIDA!

Apesar de tudo vou continuar atento. Até 5 de Outubro, data aprazada para o dito Congresso, muita água vai correr sob as pontes. E, quem sabe... Talvez venha a valer a pena dizer o que aqui fica dito, cara a cara, aos promotores do «Congresso Democrático das Alternativas» - caso este, claro está, se revele mesmo vir a ser democrático.
 
publicado por flordocardo às 01:08

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