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Jul 12

 

 

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A FORMA JUSTA

Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome do terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade e o reino
- Na concha na flor no homem e no fruto
... Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo

Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo 
 
                                            Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
(do livro «O Nome das Coisas» - Moraes Editores, Lisboa/1977)
publicado por flordocardo às 01:49
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Belíssimo!
anónima a 11 de Julho de 2012 às 19:33

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