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Abr 13

 

 

*  *  *

 

Ciclo

O molar solitário de uma prostituta

que morrera no anonimato

tinha uma aplicação de ouro.

Os restantes, como por mudo acordo tácito,

tinham caído.

O funcionário da morgue arrancou-o,

pô-lo no prego e foi dançar.

É que, dizia ele,

só o que é da terra à terra deve voltar.

 

                                            Gottfried Benn (Alemanha, 1886-1956)

 

(do livro  «Alma e o Caos - 100 poemas expressionistas» - selecção, tradução, introdução e notas de João Barrento - Relógio D' Água, Lisboa/2001)


publicado por flordocardo às 19:12
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