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Mai 13

 

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Um abraço de morte “assustadoramente belo”

A fotógrafa Taslima Akhter revelou um abraço de um homem e de uma mulher congelado pela derrocada do edifício Rana Plaza, no Bangladesh. A imagem ameaça tornar-se um ícone da luta contra as condições de trabalho no sector têxtil naquele país.

 

A fotógrafa desconhece a identidade deste casal 


*

 

AMANHECER

 

 

Que se faz na hora de morrer? Volta-se

a cara contra a parede?

Agarra-se pelos ombros o que está perto e ouve?

Deita-se cada um a correr, como o que tem

as roupas incendiadas, para chegar ao fim?

 

Qual é o rito desta cerimónia?

Quem vela a agonia? Quem puxa o lençol?

Quem afasta o espelho por embaciar?

 

Porque a esta hora não há mãe nem parentes.

Já não há soluço. Nada, mais que um silêncio atroz.

 

Todos são uma face atenta, incrédula

de homem de outra margem.         

 

Porque o que sucede não é verdade

 

 

                  Rosario Castellanos (México, 1926-1974)

 

(Tradução: José Bento - Do livro «Rosa do Mundo - 2001 poemas para o futuro» - 2ª edição, Assírio & Alvim, 2001)


publicado por flordocardo às 00:53

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