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Mai 13

 

 

*   *   *

 

(um dia destes tenho o dia inteiro para morrer)

 

um dia destes tenho o dia inteiro para morrer,

espero que não me doa,

um dia destes em todas as partes do corpo,

onde por enquanto ninguém sabe de que maneira,

um dia inteiro para morrer completamente,

quando a fruta com seus muitos vagares amadura,

o dom – que é um toque fundo na ferida da inteligência:

oh será que um poema entre todos pode ser absoluto?

:escrevê-lo, e ele ser a nossa morte na perfeição de poucas linhas

 

 

                                                            Herberto Hélder (n. 1923)

 

(do livro «Servidões» - Assírio & Alvim, Maio/2013)

 

publicado por flordocardo às 01:12
tags:

Ainda fresquinho e já por essas mãos, hem?
Abraço e bom fim-de-semana?
M. Silvino a 1 de Junho de 2013 às 15:03

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