22
Jan 10

 

 

Interrompo aqui o relativo silêncio das palavras que impus a mim próprio, mas julgo que por uma boa e urgente razão.
Ora leiam…
 
*
 
APONTAMENTOS SOBRE A(S) RESPOSTA(S)
À CATÁSTROFE NO HAITI
 
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No passado dia 12 de Janeiro, o Haiti foi devastado por um sismo de grau 7,3 na escala de Richter, cujo epicentro estava situado a escassos 15 km da capital, Port-au-Prince, onde vive cerca de ¼ da população total do país (2 milhões, num total de cerca de 8 milhões). A estimativa de vítimas mortais está neste momento em cerca de 200 mil, só na zona da capital, tendo ficado destruídos a maior parte dos edifícios e infra-estruturas.
 
Sem nenhuma justificação plausível, o socorro internacional a este país está a ser extraordinariamente lento. Entretanto, pelos seus próprios meios, a população enterra os mortos e organiza-se para tentar sobreviver, criando comités de bairro ou de zona e canalizando como pode os poucos meios disponíveis para os mais necessitados. Pelas notícias e pelas imagens que vão chegando, são perceptíveis enormes tensões entre esta organização popular e as forças militares e policiais. Existem na realidade dois esforços de resposta à catástrofe, os quais em lugar de se complementarem se afrontam, em prejuízo das populações martirizadas.
 
Uma enorme onde de solidariedade se levantou em todo o mundo para apoiar o povo do Haiti, e Portugal não é excepção. Passados cinco dias da ocorrência do sismo, um avião militar Hércules C-130 disponibilizado pelo Governo, que se dirigia para o Haiti com material diverso e equipas médicas, regressou inopinadamente a território nacional, supostamente por ter sido detectada, em pleno voo, uma avaria no aparelho. Tudo indica, no entanto, ser esta uma história mal contada, já que, na mesma altura, os governos do Brasil, da Venezuela, da França e a organização Médicos Sem Fronteiras faziam ouvir o seu protesto pelo facto de aviões seus, transportando ajuda humanitária, terem sido impedidos de aterrar no aeroporto internacional de Port-au-Prince por tropas dos Estados Unidos da América que assumiram o controlo do mesmo, com a justificação de o mesmo ter de ficar livre para receber aviões deste país com tropas e material de guerra. De facto, antes mesmo de organizar qualquer ajuda, o Governo dos EUA decidiu e pôs em prática um plano para deslocar 10 mil soldados para o Haiti, com todo o material militar e logístico necessário a uma operação de ocupação.
 
De facto, a preocupação central nas instâncias do poder no sistema imperialista, não é o sismo geológico e as suas consequências, mas é sim o sismo político que o primeiro pode desencadear. O Haiti foi o primeiro lugar no mundo moderno onde ocorreu, no princípio do século XIX, uma revolta geral de escravos, os quais eram nessa altura cerca de 400.000, trazidos de África e utilizados como gado nas plantações de café e cana-de-açúcar. Na altura travaram-se grandes combates e as tropas francesas de Napoleão sofreram inúmeros reveses. Numa época mais recente, no início da presente década e sob a presidência de Jean-Bertrand Aristide, o Haiti viveu um processo de democratização e de uma relativa ruptura com os laços neocoloniais e imperialistas que o subjugam. Esse processo foi brutalmente interrompido através de um golpe militar, ocorrido em 2004 e de que resultou a execução e prisão de milhares de membros do partido no poder, o Lavalas, golpe militar esse que foi apoiado e financiado, designadamente, pelos Estados Unidos, pela França e pelo Canadá. Para impedir que a população se mobilizasse e derrotasse os golpistas, as principais potências imperialistas decidiram, no Conselho de Segurança da ONU, enviar de imediato uma força de cerca de 9.000 “capacetes azuis”, a qual ainda lá se encontra e é dirigida pelo país que dispõe do contingente mais numeroso (1.700 homens), o Brasil. Ora, tudo indica que, a pretexto da actual “crise humanitária”, os EUA se preparem agora para impor uma situação de facto, que é tornarem-se a principal potência ocupante e instalar no Haiti uma base militar, reeditando a situação que vigorou neste país entre 1915 e 1934.
 
Impedir que o Haiti se transforme numa nova Cuba, nas Caraíbas, é, de facto, a principal preocupação das forças imperialistas. Mas, na desgraça e no infortúnio, a palavra decisiva caberá sempre ao povo haitiano e à solidariedade internacionalista que todos os povos do mundo lhe devem prestar.
 
( extraído hoje de  http://lutapopularonline.blogspot.com )
 
 
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publicado por flordocardo às 14:50

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